O experimento de Guillaume Duchenne

Quando a fotografia entrou em cena na década de 1830, os cientistas logo perceberam que ela poderia revelar segredos de mundos invisíveis, desde bactérias microscópicas até  galáxias distantes. Alguns também acreditavam que a câmera poderia ir mais longe do que a mera  imagem de uma superfície por si só,  na opinião desses homens, a fotografia poderia fornecer informações sobre o funcionamento interno do corpo, da mente e até mesmo do exato momento da morte. As fotografias mais extremas do século 19 foram feitas por cientistas que buscavam respostas para perguntas sérias sobre a natureza da nossa existência. Um desses homens foi o francês Guillaume Duchenne.

Guillaume Benjamin Amand Duchenne (Boulogne-sur-Mer, 17 de setembro de 1806 — Paris, 15 de setembro de 1875) foi um médico neurologista francês. Graças a suas contribuições sobre os efeitos da eletricidade no ser humano, é considerado o pai da Eletroterapia, recurso terapêutico utilizado por fisioterapeutas no tratamento, reabilitação e cura de diversas doenças. Wikipédia

Em 1862, Duchenne quis testar a teoria popular de que o rosto estava diretamente ligado à alma. Ele já havia feito alguns experimentos onde aplicava choques elétricos em músculos lesionados de pacientes e argumentava que, se pudesse aplicar correntes elétricas no rosto de um sujeito, ele poderia estimular os músculos e fotografar os resultados. O problema era que, embora fosse fácil ativar respostas físicas com choques elétricos, a maioria das pessoas relaxava imediatamente após o choque ter passado, rápido demais para uma câmera da época ser capaz de registrar.

Um sapateiro, paciente do hospital onde Duchenne trabalhava, sofria da paralisia de Bell. Essa doença causa paralisia facial, o que significava que o sapateiro ficaria com sua expressão por alguns minutos, depois de receber o tratamento de eletro-choque; tempo suficiente para o fotógrafo  registrar sua expressão.

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Duchenne submeteu o sapateiro a mais de 100 sessões, aplicando eletrodos em várias partes de seu rosto a fim de  extrair uma  gama variada de emoções. Enquanto isso, Paul Tournachon batia as fotografias.  Os resultados foram publicados em Mecanisme de la physionomie Humaine. A obra foi apreciada por muitos intelectuais da época, entre eles Charles Darwin.

Ainda que a experiência seja aterradora e desumana aos nossos olhos, algo de bom saiu dela. Duchenne conseguiu determinar que, quando uma pessoa expressa um sorriso genuíno, alguns músculos específicos são ativados. Na fisiologia, o sorriso autêntico é chamado de sorriso de Duchenne.

10 eventos que levaram o mundo à Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial foi causada por uma combinação de vários fatores, mas acima de tudo, o conflito se originou das tensões entre as potências do Velho Mundo e da crise do sistema de balança de poder que dividia a Europa em duas frentes. De um lado,  Grã-Bretanha, França e  Rússia (Tríplice Entente) esforçavam-se para preservar o frágil equilíbrio entre as grandes potências europeias, do outro, que se formou em torno do Império Alemão, do Império Austro-Húngaro e da Itália (Potências Centrais) o objetivo era desafiar a ordem vigente para impor suas próprias políticas expansionistas. Examine nessa postagem dez eventos específicos que levaram a humanidade a um dos conflitos militares mais devastadores da história.

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Artilheiros franceses tentam derrubar um avião, uma das raras fotografias coloridas da Primeira Guerra Mundial



10 – A Guerra Franco-Prussiana

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Oficiais alemães prestam homenagem aos prisioneiros franceses feridos, 1876 (Édouard Detaille).

A guerra entre a França e a Prússia (o futuro Império Alemão), durou de 1870 a 1871 e terminou com uma humilhante derrota para a França. Ela perdeu as regiões da Alsácia e Lorena e foi obrigada a pagar uma enorme indenização à Prússia. A Guerra Franco-Prussiana levou à criação de um poderoso império alemão, com um potencial militar e industrial capaz de perturbar ainda mais o equilíbrio do poder europeu. O conflito também gerou entre os franceses um ressentimento generalizado e um forte desejo de vingança.


9 – Ascensão de Guilherme II ao trono alemão

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O Imperador Guilherme II com Hermine, sua segunda esposa e com a filha, a princesa Henriette.

Com a ascensão  de Guilherme II ao trono alemão em 1888, a política externa alemã tornou-se mais belicosa. O novo imperador alemão rejeitou o hábil Otto von Bismarck como chanceler. Ele também se recusou a renovar o Tratado de Resseguro com a Rússia, um acordo que mantinha a frágil paz entre a Rússia e a Áustria-Hungria, bem como manteve a França isolada. Dessa forma, Guilherme II ajudou a criar uma aliança entre a França e a Rússia (formada em 1892), que  se tornou a base para a futura Tríplice Entente.


8 – A Guerra Russo-Japonesa

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Batalha do Rio Yalu, em 1904.

A disputa entre  russos e japoneses sobre a Manchúria e a Coréia, atingiu seu auge com a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). O resultado do conflito contra os japoneses foi um grande golpe para os russos, que perderam quase toda a frota do Báltico e do Pacífico. A derrota também provocou uma grave crise política que levou à Revolução Russa de 1905. Além disso, a Guerra  Russo-Japonesa  colocou um fim às ambições russas no Extremo Oriente e, como resultado, o governo czarista concentrou a sua atenção na Europa, mais especificamente para as Balcãs. Isto intensificou a velha rivalidade com a Áustria-Hungria, que também tinha um grande interesse nos Balcãs.


7 –  A Entente Cordiale

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O militarismo, principalmente o crescimento do  poder naval dos alemães, convenceu a Grã-Bretanha de que a Alemanha logo se tornaria a potência dominante do continente. A fim de criar um contrapeso ao Império Alemão, os britânicos decidiram entrar em uma aliança com a França, com uma série de acordos que ficaram conhecidos como Entente Cordiale. Em 1907, a Grã-Bretanha também entrou em uma aliança com a Rússia, que já estava aliada com a França. Isso formou a Tríplice Entente, que por sua vez, tornou-se o núcleo dos Aliados durante a Primeira Guerra Mundial.


6 – As Crises Marroquinas

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Uma coluna de tropas francesas em movimento em um acampamento de tendas em Marrocos, 30 de março de 1912.

As Crises Marroquinas - a Crise de Tânger (1905-1906) e a Crise de Agadir (1911) - levaram as potências europeias à beira da guerra. Ambas foram provocadas pelos alemães com o objetivo de abalar as relações entre França e Grã-Bretanha, que  tinham formado uma aliança em 1904. O resultado, no entanto, foi o oposto. Em vez de trazer a  Grã-Bretanha mais para perto das Potências Centrais, as Crises Marroquinas reforçaram ainda mais a Entente Cordiale e aumentaram a hostilidade britânica para com a Alemanha.


5 – Crise Bósnia

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Capa do periódico francês Le Petit Journal sobre a crise da Bósnia: o Príncipe Fernando I da Bulgária declara independência e é proclamado czar,  o imperador austríaco Francisco José anexa a Bósnia e Herzegovina, enquanto que o sultão otomano Abdul Hamid II apenas observa.

Em 1908, a Áustria-Hungria decidiu anexar a Bósnia-Herzegovina aos seu domínios, uma região que oficialmente era parte do Império Otomano. A anexação dessas províncias, na prática ocupadas pela Monarquia Dual desde 1878, entrava em choque direto com os interesses da Sérvia, que estava intimamente relacionada com a região, tanto do ponto de vista étnico como geográfico. A Sérvia foi apoiada pelo governo czarista e a crise persistiu até 1909. A Rússia, entretanto, não conseguiu o apoio firme da França ou da Grã-Bretanha e como Viena era apoiada pela Alemanha, os russos não tiveram escolha, a não ser a de aceitar a anexação da Bósnia-Herzegovina. A Sérvia também se viu obrigada a recuar e a crise terminou. Mas o relacionamento entre  Rússia, Sérvia  e Áustria-Hungria estava irremediavelmente abalado. A anexação da Bósnia-Herzegovina provocou um profundo ressentimento entre o povo  sérvio, também, a forma como foi realizada, humilhou o governo russo que não podia aceitar pacificamente outra humilhação semelhante, como a ocorrida durante a crise de julho de 1914.


4 – A Guerra Ítalo-Turca

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Tropas italianas enfrentando forças turcas em Trípoli, em 1911.

A Guerra Ítalo-Turca, que teve lugar entre 1911 e 1912, não representou qualquer ameaça maior para a paz na Europa. Mas a derrota turca revelou a fraqueza do exército otomano e deixou evidente o desacordo existente entre as potências européias sobre as chamadas questões orientais, ou seja, qual seria o destino do decadente Império Otomano. A guerra entre o Reino da Itália e o Império Otomano também foi um forte incentivo para a Liga das Balcãs invadir e  capturar a península balcânica dos turcos, a revelia das decisões das grandes potências.


3 – A Guerra das Balcãs

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Forças búlgaras  esperam para começar o ataque contra Adrianópolis, atual Edirne.

Em 1912, Sérvia, Grécia, Montenegro e Bulgária formaram a Liga das Balcãs, uma aliança militar contra o Império Otomano. Dentro de alguns meses, os aliados balcânicos despojaram o Império Otomano de suas posses nas Balcãs e dividiram o território conquistado entre si. Em junho de 1913, a Bulgária voltou-se contra a Sérvia e a Grécia, seus antigos aliados, devido a uma disputa sobre a partição da Macedônia. Mas os búlgaros foram derrotados dentro de apenas um mês e forçados a desistir de suas reivindicações. O sucesso da Liga Balcânica chocou a maioria dos potentados europeus.  No entanto, o fato perturbou especialmente a Áustria-Hungria, que se opunha veementemente a um  estado sérvio forte e influente. Viena via a Sérvia tanto como um rival nos Balcãs bem como uma ameaça direta, porque temia que seu pequeno vizinho pudesse se tornar no futuro, o núcleo de um poderoso estado sul-eslavo. As Guerras Balcânicas aumentaram ainda mais a determinação dos estadistas austro-húngaros em  tomar medidas concretas para evitar o fortalecimento da  Sérvia.


2 – O Assassinato do Arquiduque Francisco Fernando da Áustria

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Francisco Fernando e Sofia deixando a Câmara Municipal de Sarajevo minutos antes do atentado que os matou.

Em 28 de junho de 1914, um grupo de conspiradores de um movimento revolucionário chamado Mlada Bosna ( Jovem Bósnia) assassinou o herdeiro presuntivo austro-húngaro, o arquiduque Francisco Fernando e sua esposa Sofia, enquanto eles  visitavam Sarajevo. Uma vez que o assassino Gavrilo Princip e seus cinco cúmplices eram sérvios bósnios, a Monarquia Dual acusou a Sérvia de estar por trás do assassinato. O evento desencadeou o curso dos acontecimentos que diretamente levaram à eclosão da Primeira Guerra Mundial, mas não a causou. A Áustria-Hungria já estava determinada a eliminar a ‘ameaça sérvia’ antes do assassinato de seu herdeiro presuntivo e só precisava de uma desculpa para declarar guerra ao seu vizinho dos Balcãs.


1 – O Ultimato de Julho

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Gavrilo Princip (direita) sendo preso após assassinar o arquiduque Francisco Fernando.

Em 23 de julho de 1914, a Áustria-Hungria apresentou um ultimato à Sérvia. Viena, no entanto, intencionalmente impôs exigências impossíveis de serem cumpridas, a fim de que pudesse declarar guerra ao seu vizinho por ele  ter "orquestrado" o assassinato do arquiduque Francisco Fernando. Poucos dias depois, as tropas austro-húngaras invadiram a Sérvia. Começava a devastadora Primeira Guerra Mundial.

10 terríveis crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos

A maioria dos americanos gosta de pensar que suas forças armadas são uma ferramenta para a preservação da liberdade e do bem-estar das pessoas de todo o mundo. Gerações de soldados norte-americanos tem, de fato, realizado façanhas nobres e heróicas em defesa desses valores.  No entanto, desde os primórdios da nação, encontrar-se com os militares dos Estados Unidos  quase sempre significou morte e destruição, em vez de liberdade e justiça. Desde a Revolução Americana até a atual  guerra contra o terror, os soldados americanos tem participado em inúmeras  atrocidades, de uma forma ou de outra, como veremos a seguir.


10 – O massacre de Balinga

Durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898, as forças americanas capturaram as Filipinas. De certa maneira, os americanos foram vistos como libertadores, já que os filipinos vinham lutando contra o imperialismo espanhol durante anos; contudo, eles não estavam dispostos a servir novamente a outra nação estrangeira. Seguiu-se então a Guerra Filipino-americana.

Depois de sofrer pesadas baixas nas mãos de insurgentes filipinos na província de Samar, o General Jacob H. Smith buscou vingança contra a população civil. Ele ordenou aos seus soldados:  "Eu não quero nenhum prisioneiro. Desejo que todos sejam mortos e queimados, quantos mais vocês matarem e queimarem, mais ficarei satisfeito. "

As tropas do General Smith iniciaram uma campanha de genocídio. Todos os nativos com mais de dez anos de idade e capazes de portar armas foram executados, outros milhares foram levados para  campos de concentração.

Infelizmente, essas ações foram apenas um microcosmo da gigantesca brutalidade que foi a ocupação das Filipinas pelos americanos. Estima-se que pelo menos 34 mil filipinos  morreram como resultado direto da guerra, e outros 200.000 pela epidemia de cólera que se espalhou entre os refugiados e os jogados em campos de concentração.


9 – O massacre de No Gun  Ri

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Quando as forças norte-coreanas lançaram um ataque surpresa contra a Coréia do Sul em 25 de junho de 1950, soldados americanos mal treinados que estavam aquartelados em Tóquio foram levados para a península. A invasão criou uma enorme crise de refugiados, com milhares de  civis fugindo dos exércitos que se aproximavam. Temendo a infiltração de espiões que poderiam se apresentar como civis, o comando americano ordenou que nenhum civil coreano fosse autorizado a atravessar as linhas de batalha.

No mesmo dia que essas ordens foram emitidas, cerca de 400 refugiados que se encontravam em uma ponte, perto da aldeia de No Gun Ri, foram indiscriminadamente massacrados por forças americanas.

Os americanos  inicialmente negaram qualquer envolvimento no incidente, afirmando que suas tropas não estavam nas proximidades no momento do massacre. No entanto, mais detalhes do caso tem surgido nos últimos anos, graças aos depoimentos tanto de sobreviventes quanto de perpetradores do massacre. Como um veterano americano lembra: "Havia um tenente gritando como um louco, fogo em todos, matem todos ...  "

Infelizmente, este foi apenas o primeiro de muitos massacres realizados pelas forças americanas na Coréia, massacres que só vieram à tona nos últimos anos. Não houve justiça para os sobreviventes coreanos. A única pessoa a enfrentar acusações por crime de guerra na Coréia, o capitão Ernest Medina, foi absolvido pela corte marcial.


8 -  O massacre de  Gnadenhutten

Viver como colono na fronteira durante a Revolução Americana, era viver em um lugar isolado, brutal e violento. Linhas de frente eram inexistentes e não havia cavalheirismo na guerra de fronteira. Há certamente inúmeras atrocidades que a história nunca descobrirá, mas uma que se destaca é o massacre de Gnadenhutten.

Em 8 de março de 1782, 160 milicianos da Pensilvânia cercaram a aldeia de Gnadenhutten, no leste de Ohio. Os moradores da vila eram índios, cristãos, pacíficos e neutros na luta. No entanto, os milicianos os acusaram de conduzir ataques em toda a Pensilvânia e estavam dispostos a executar cada habitante da aldeia.

Os índios foram divididos em duas cabanas, uma para os homens e outra para as mulheres e crianças, e, em seguida, espancados até a morte antes de serem escalpelados. Ao todo, noventa e seis, dos cem índios,  foram escalpelados e mortos; toda a aldeia foi incendiada. Um sobrevivente se escondeu na mata, outros  três sobreviventes conseguiram avisar as aldeias vizinhas.


7 - O campo de prisioneiros em Andersonville

Você pode pensar que esta imagem seja a de um prisioneiro recém-libertado dos campos de concentração nazistas. Mas este homem, na verdade era um soldado da União, aprisionado no campo de prisioneiros em Andersonville, Geórgia, durante a Guerra Civil Americana.

A vida para os soldados de ambos os lados do conflito era uma experiência angustiante, não importa onde estivessem estacionados. No entanto, sem dúvida, o pior lugar para se estar em toda a guerra era a prisão militar do Acampamento Sumter, em Andersonville. Sendo a maior prisão da Confederação, o campo havia sido projetado para uma capacidade máxima de 10.000 prisioneiros. Em agosto de 1864, o número de presos chegara a 33.000.

As condições no campo eram um pesadelo. Os confederados estavam desesperadamente sem provisões para si mesmos, o que significava que os prisioneiros de guerra ficavam quase sem nada. Os homens não tinham abrigo do sol durante o verão escaldante ou da chuva fria de inverno. O pequeno riacho que corria através do campo tornou-se tanto um banheiro comum bem como a única fonte de água potável. Consequentemente, o número de mortes por doenças e fome subia drasticamente. Dos 45.000 homens mantidos na prisão, cerca de 12 mil morreram e foram enterrados em valas comuns ao redor do acampamento.

Quando a guerra terminou, Henry Wirz, o comandante de Andersonville,  foi preso, julgado por um tribunal militar e enforcado. Ele foi a única pessoa de ambos os lados do conflito, executada por crimes de guerra durante a Guerra Civil Americana.


6 – O massacre de Dachau

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O campo de concentração de Dachau, na Baviera, foi um dos campos de extermínio mais infames da II Guerra Mundial. Pelo menos 32 mil assassinatos documentados ocorreram lá, junto com milhares de vítimas desconhecidas que entraram no campo sem registros. Quando chegaram ao campo em 12 de abril de 1945, os soldados americanos se depararam com centenas de corpos espalhados por todos os lugares, o horror da cena levou muitos a perder o controle.

Durante o curso de libertação do campo, os soldados americanos mataram pelo menos cinqüenta guardas alemães. Alguns foram mortos tentando fugir, outros foram sumariamente executados. Embora esses assassinatos sejam obviamente indefensáveis dentro das regras modernas de guerra, essa atrocidade é sem dúvida a mais compreensível nesta lista. Ela é apenas um dos muitos casos de americanos que executam prisioneiros nazistas durante a invasão aliada, nenhum soldado foi processado por participar nessas mortes.


5 – O ataque à aldeia de Azizabad

Desde 2001, o Afeganistão tem visto constantemente mortes de civis nas mãos das forças americanas, seja por terra, por aviões de guerra e por ataques de drones. Um dos casos mais divulgados ocorreu na aldeia de Azizabad, na Província de Helmand, em 22 de agosto de 2008.

As forças americanas receberam informações de que Mullah Sidiq, um comandante talibã, estava a caminho de Azizabad, depois de ter emboscado tropas americanas. Durante a noite, aviões de guerra  AC-130  realizaram um ataque mortal na vila. As bombas mataram cerca de noventa civis, muitos dos quais eram crianças. Embora os Estados Unidos alegassem ter matado Sidiq no ataque e que a maioria das vítimas eram militantes do Talibã, Sidiq mais tarde surgiu ileso e investigações independentes concluíram que  se houvessem, eram poucos os militantes talibãs na aldeia.

Apesar da carnificina do evento, nenhum americano foi sequer processado por seu papel no ataque aéreo. No entanto, um afegão chamado Mohammed Nader foi condenado à morte pelas autoridades afegãs por ter fornecido informações  à OTAN que levaram ao ataque.


4 – O massacre de Kandahar

Este ataque é diferente, porque, ao contrário de outros na lista, foi realizado por um único soldado americano. Nas primeiras horas do dia 11 de março de 2012, o sargento Robert Bales sorrateiramente saiu de sua base no bairro de Panjawi, na província de Kandahar, e entrou em uma casa nas proximidades. Ele atirou em todos os dez residentes, matando seis. Bales retornou brevemente para a base antes de sair novamente para outra casa nas cercanias, onde ele matou mais doze e feriu outros dois. Das dezoito pessoas mortas naquele dia, nove eram crianças.

Após os assassinatos, Bales supostamente voltou para a base e prontamente confessou a seus superiores, simplesmente dizendo, "eu fiz isso."  Ele se declarou culpado em um tribunal militar, sendo, em agosto de 2013, condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.


3 – A prisão de Abu Ghraib

Semelhante a do Afeganistão, a ocupação americana do Iraque também testemunhou incontáveis atrocidades por parte das forças americanas. O mais conhecido desse  crimes foi o tratamento dado aos prisioneiros em Abu Ghraib. De outubro a dezembro de 2003, soldados norte-americanos, com pouca experiência em administrar uma prisão, realizaram atos incrivelmente sádicos sobre aqueles que lhes competia guardar. Muitos detidos foram humilhados, torturados, violados, sodomizados, e alguns até forma mortos nas mãos dos guardas.

Apesar de que houvesse atividades semelhantes ocorrendo em outras prisões iraquianas e afegãs, os abusos em Abu Ghraib só vieram à tona, tornando-se um escândalo mundial, em grande parte por causa da evidência fotográfica da tortura ( Cuidado: imagens chocantes ). Estas imagens de abuso foram amplamente divulgadas; publicações como The New Yorker  e 60 minutos denunciaram detalhadamente o crime. Como resultado, onze soldados foram condenados a penas de prisão, mas muitos dos soldados e empreiteiros privados supostamente envolvidos nos abusos nunca enfrentaram  julgamento.


2 – O massacre de Wounded Knee

Esta lista inteira poderia ser feita de injustiças horríveis perpetradas pelo governo dos Estados Unidos contra a população nativa americana do país. Uma das mais significativas foi o massacre de Wounded Knee. Este incidente na reserva Pine Ridge  foi o último grande conflito das Guerras Indígenas. Vinte  soldados foram agraciados com a Medalha de Honra após o massacre, mais do que em qualquer outra batalha única na história americana.

Em 29 de dezembro de 1890, a sétima cavalaria cercou um grupo de dacotas, incluindo mulheres e crianças, no Wounded Knee Creek. Os soldados exigiram que os dacotas entregassem suas armas, e estavam recolhendo-as quando a violência começou. Não está claro quem disparou primeiro, mas logo, um combate isolado entre os alguns nativos e militares americanos se transformou no caos, com o acampamento sendo atingido pelo fogo indiscriminado dos soldados. Os tiros de rifle e  dos canhões Hotchkiss ecoaram, ceifando centenas de vidas, soldados montados matavam à fio de espada os que tentavam fugir.

No momento em que tudo acabou, pelo menos 150 homens, mulheres e crianças do povo dacota tinham sido mortos e 51 feridos (4 homens, 47 mulheres e crianças, alguns dos quais morreram mais tarde); algumas estimativas colocam o número de mortos em 300. Vinte e cinco soldados americanos  também morreram e 39 ficaram feridos (seis dos feridos morreram mais tarde). Acredita-se que muitos tenham sido vítimas de fogo amigo, já que o tiroteio ocorreu em uma estreita faixa e em condições caóticas.


1 – O massacre de My Lai

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O massacre de My Lai é o crime de guerra mais famoso dos Estados Unidos e tornou-se uma espécie de referência com a qual todos os atos de selvageria militar americanos são comparados.

Em 16 de março de 1968 os homens da Companhia Charlie entraram na aldeia de My Lai, no Vietnã do Sul, para realizar uma missão de  "busca e destruição". Embora não houvesse sinais de tropas inimigas, os soldados receberam ordens para entrar na aldeia atirando. O incidente rapidamente transformou-se em violência e caos, com os homens da Companhia Charlie abrindo fogo contra os moradores desarmados da aldeia. Entre os aldeãos estavam muitas mulheres, crianças e velhos. Estima-se que mais de 300 civis foram mortos a tiros ou à baionetadas durante o curso de várias horas.

Apenas um soldado, William Calley Jr., foi condenado por participação no massacre. Ele cumpriu três anos e meio em prisão domiciliar. Talvez ainda mais perturbador do que a falta de punição pelo massacre de My Lai seja o fato de que o comportamento da Companhia Charlie foi aceito como normal entre as tropas americanas no Vietnã.  O coronel Oran Henderson comentou certa vez que “quase todas os soldados das companhias ansiavam por uma My Lai nas profundezas do seu coração” .

O mistério da morte de Cleópatra

Cleópatra Thea Filopator, mais conhecida como apenas Cleópatra, é certamente, uma das figuras mais célebres da Antiguidade Clássica e, em geral, de toda a história. Essa personagem cativou a imaginação de milhões de pessoas em todas as épocas, tanto pela aura exótica que acompanhou a sua figura como rainha do Egito, bem como pelo seu relacionamento com Júlio César e Marco Antônio.

Essa fascinação com a última governante do período helenístico da terra dos faraós, se reflete também no mundo da artes, sendo Cleópatra retratada em muitas pinturas e esculturas. Uma das obras mais marcantes está preservada no Louvre, e é o trabalho de um seguidor misterioso de Leonardo da Vinci, um discípulo que os historiadores chamam de Giampietrino.

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Detalhe de 'A Morte de Cleópatra' por Benedetto Gennari | Crédito: Wikipédia.

Apesar dos poucos dados disponíveis sobre sua pessoa, agora os especialistas acreditam ter identificado este artista como sendo o pintor Giovanni Pietro Rizzoli, um lombardo cujas obras mostram a influência inconfundível do gênio florentino. No entanto, ao longo de décadas, a verdadeira identidade do artista permaneceu um enigma indecifrável para os pesquisadores.

Aparentemente, a pintura que ele fez com Cleópatra como protagonista, e que agora descansa nos fundos do Museu de Paris, foi feita em 1538, curiosamente, ela também retrata um episódio envolto em mistérios.

A cena captada por Giampietrino não é outra senão a do suicídio de Cleópatra, um evento que  tem sido objeto de controvérsia nos textos históricos que falam sobre a morte da sedutora representante da dinastia ptolemaica.

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'A Morte de Cleópatra' por Giampietrino | Crédito:. Wikipédia

Fontes romanas nos contam que a rainha egípcia se suicidou quando ela percebeu as intenções de Augusto de levá-la como prisioneira para Roma. De acordo com Estrabão, autor do texto mais antigo sobre o assunto, na época circulavam duas versões: a primeira alegava que Cleópatra tinha se untado com uma unguento tóxico; a segunda, dizia que ela morreu por causa do veneno de uma cobra egípcia que lhe mordera um peito.

No entanto, apenas alguns anos mais tarde, já circulavam diferentes versões do acontecido: por exemplo, dez anos após o desaparecimento de Cleópatra, poetas romanos falavam que foram duas víboras, e não apenas uma, as responsáveis por dar fim à vida da rainha egípcia.

As  versões só aumentaram com o passar dos tempos, sendo que muitos autores descartaram a versão das cobras, defendendo em vez dela,  a de que foi Augusto quem matou Cleópatra. Mais recentemente, no entanto, historiadores como o alemão Christoph Schaeffer sugerem que, possivelmente, a rainha do Nilo foi envenenada tomando uma bebida feita da mistura de plantas tóxicas.

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'A Morte de Cleópatra' por Hans Makart | Crédito: Wikipédia.

Seja como for, ao analisarmos as várias representações artísticas que foram feitas do fato ao longo da história, não há dúvida de que a hipótese que mais cativou os artistas foi a da serpente. Precisamente a usada por Giampetrino em sua pintura.

Além do seguidor de Leonardo da Vinci, muitos outros artistas se deixaram seduzir pela inquietante imagem de uma Cleópatra dando fim a existência por meio da mordida de uma víbora em um dos seios. Entre eles, por exemplo, se destacam as pinturas dos italianos Guido Reni e Benedetto Genari e a do historicista austríaco Hans Makart.

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