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10 grandes ideias que foram roubadas dos criadores originais

A recente disputa judicial entre Samsung e Apple mostra que o roubo de tecnologia e patentes ainda é uma questão controversa no mundo dos negócios. Digo, "ainda", porque, ao longo da história moderna, muitas ideias que geraram fortunas   foram  creditadas para as pessoas erradas.
A partir da máquina a vapor até a televisão, houve inúmeros casos em que o trabalho inovador de um inventor talentoso foi aproveitado desonestamente. O resultado? As recompensas financeiras sendo colhidas por outra pessoa e o prestígio histórico sendo creditado ao nome indevido.
Leia sobre  10 ideias brilhantes cujas origens podem não estar bem onde os livros dizem.


10 – Rádio: Marconi vs. Tesla


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Na década de 1890, Nikola Tesla descobriu que poderia usar suas eletricamente carregadas "bobinas de Tesla" para transmitir mensagens a longas distâncias, fazendo-as ressoar com a mesma frequência. Patentes de Tesla para este projeto foram aceitas em 1900.
Ao mesmo tempo, um jovem inventor chamado Guglielmo Marconi, estava trabalhando em seu próprio dispositivo para transmissão de sinais a longas distâncias, no entanto,  os pedidos de patente do italiano  foram repetidamente rejeitados devido à prioridade de inventores anteriores.
Incansável, Marconi fez experiências com tecnologias como o oscilador de Tesla para transmitir mensagens a longas distâncias. Tesla inicialmente não deu importância para o fato de  Marconi  estar usando seu trabalho. Ele é citado como tendo dito: "Marconi é um bom sujeito. Deixe-o continuar. Ele está usando 17 das minhas patentes ".
No entanto, isso mudou em 1904, quando o Escritório de Patentes dos EUA decidiu registrar a invenção de Marconi. Tesla, furioso, tentou processar o italiano, mas ele não dispunha de recursos financeiros suficientes para levar o processo adiante. Em outubro de 1943, a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ser falsa a reclamação de Marconi que afirmava nunca ter lido as patentes de Nikola Tesla e determinou que não havia nada no trabalho de Marconi que não tivesse sido anteriormente descoberto por Tesla. Infelizmente, Tesla havia morrido nove meses antes.

9 -  Laser : Gordon Gould vs. Arthur Schawlow & Charles Townes

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Gordon Gould era um estudante de pós-graduação na Universidade de Columbia, quando desenvolveu o primeiro método prático para a criação de um laser. A concepção de Gould 1957 utilizava dois espelhos como um ressoador ótico para criar um feixe coerente de luz focalizado. Ele também cunhou o acrônimo LASER (amplificação de luz por emissão estimulada de radiação).
Infelizmente, Gould erroneamente acreditava que era preciso  criar um protótipo funcional antes que ele pudesse patentear o dispositivo. Isto resultou em ele não  arriscar uma reclamação sobre a sua invenção até 1959, porém, seus colegas de laboratório, não esperaram tanto tempo, e  registraram para eles as patentes para o laser.
Gould passou os 30 anos seguintes em batalhas legais com o Escritório de Patentes dos EUA e as corporações que utilizavam seu laser. Depois de uma longa luta, em 1987,  ele obteve uma vitória sobre as empresas que usavam sua tecnologia . Gould recebeu o crédito de 48 patentes e vários milhões de dólares em royalties.

8 -  Barco a vapor : John Fitch vs. Robert Fulton

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Um dos usos mais imediatamente aparentes do motor a vapor era  o de aumentar a velocidade em barcos. E foi assim que, em 1787, no rio Delaware,o  ex-soldado John Fitch lançou o primeiro barco a vapor, apoiado por fileiras de remos em cada lado.
Infelizmente, para a Fitch, a patente que foi concedida em 1791 não lhe deu o monopólio sobre a  invenção, o que deixou o caminho livre para que inventores posteriores criassem projetos semelhantes. Por esta razão, o inventor Robert Fulton pode patentear um vapor de rodas financeiramente viável e rentável em 1807, sem a necessidade de pagar a família do falecido Fitch um centavo sequer.
As lutas legais de construtores de barcos a  vapor, foram parcialmente responsáveis ​​pela a Lei de Patentes de 1790. Esta lei instituiu procedimentos muito mais abrangentes para reivindicar a propriedade de uma invenção nos Estados Unidos.

7 -  O Telefone: Alexander Graham Bell vs. Elisha Gray

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Alexander Graham Bell e Elisha Gray registraram a patente do telefone em 1876, mas ainda permanece a controvérsia em torno de quem foi o primeiro.
Os dois inventores trabalhavam num dispositivo que poderia transmitir sons inteligíveis de um lugar para outro. Em 14 de fevereiro de 1876, Gray apresentou uma patente para o Escritório de Patentes dos EUA. No entanto, no mesmo dia, o advogado de Bell apresentou um pedido de patente com um diagrama muito semelhante.
Há evidências de que um oficial de patente foi subornado para dar a Bell os detalhes da invenção de Gray e que esta foi a base de seu transmissor harmônico, usada para fazer a primeira chamada telefônica do mundo.
Embora Bell mais tarde levasse o desenvolvimento do telefone em outras direções, para uso comercial, há uma forte evidência de que o passo crucial foi fornecido a ele pelo trabalho de Gray.

6 -  Projetor de cinema: Francis Jenkins vs. Thomas Edison

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O projetor de cinema é comumente atribuído a Thomas Edison, mas, como muitas invenções do americano, na verdade foi baseado no trabalho de outros inventores. Embora Edison desenvolvesse um projetor chamado cinescópio, suas imagens eram borradas e difíceis de entender.
No entanto, em 1890, o inventor Francis Jenkins desenvolveu uma máquina melhor chamada de Phantoscope. Esta máquina exibia imagens claramente, por um curto período  de tempo. Porém, o destino final da invenção provou  o quão importante é confiar e saber quem é  realmente o seu parceiro de negócios. Jenkins trabalhou no Phantoscope  com Thomas Armat, e logo, ambos requereram reconhecimento para a invenção.
Após a divisão, Armat passou a trabalhar para Thomas Edison, e do Phantoscope eles desenvolveram o "Edison Vitascope."

5 - Limpa pára-brisas intermitentes: Robert Kearns vs. Ford e Chrysler

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Incrivelmente, este caso apresenta uma criação roubada por três empresas diferentes simultaneamente. Em 1964, Robert Kearns inventou o limpador de pára-brisas intermitente, que limpa o vidro a cada poucos segundos, em vez de continuamente, proporcionando ao motorista uma melhor visibilidade.
Kearns levou seu projeto para as "três grandes" empresas americanas de automóveis: Ford, General Motors e Chrysler. Todos as três se recusaram a usar a invenção sob licença, ainda que mais tarde passassem a oferecer o limpa pára-brisas intermitente como equipamento opcional em seus carros.
Um Kearns indignado processou a Ford em 1978 e Chrysler em 1982, e acabou ganhando quase  30 milhões de dólares de indenização. Ele disse: "Eu não acho que o objetivo era a magnitude do dinheiro. O que eu vi como o meu papel era o de defender o sistema de patentes. Se eu não ganhasse , não haveria realmente um sistema de patentes ".


4 – Interface gráfica do usuário: Apple vs. Xerox

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A interface gráfica do usuário (GUI) foi essencial na evolução da computação pessoal, tornando-a fácil e intuitiva, mas a história dessa ideia inovadora é tenebrosa. A Xerox desenvolveu a primeira versão totalmente funcional em 1981, porém, viu a tecnologia rapidamente ir para  a concorrente Apple.
Costuma-se dizer que Steve Jobs "roubou" a ideia do GUI da Xerox após várias visitas na  empresa em 1980. Isso não é bem verdade. A Xerox recebeu uma fatia de ações da Apple em troca das visitas dos engenheiros de Jobs.
Mesmo assim, o primeiro Apple Macintosh incorporava uma série de características do PARC da Xerox, e a Apple contratou alguns dos melhores engenheiros da Xerox para trabalhar em protótipos do Macintosh.

3 -  Televisão: Philo Farnsworth vs. Vladimir Zworykin e RCA

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Philo Taylor Farnsworth foi um brilhante inventor americano que afirmava ter 165 patentes em seu nome. Antes dos 15 anos, ele começou a desenvolver o dissector de imagem, um pedaço de tecnologia que tornaria a televisão moderna possível. E em 1927, com a idade de 21 anos, Farnsworth construiu a primeiro protótipo do aparelho.
Em 1930, Vladimir Zworykin, que era um cientista da empresa de eletrônica RCA, visitou laboratório de Farnsworth. Zworykin tinha desenvolvido um modelo semelhante em 1923, mas a patente não foi concedida até 1938, depois de ele ter feito alterações substanciais ao projeto original.
A batalha de patentes sobre a prioridade da invenção seguiu por uma década, com a RCA perdendo tanto o processo judicial inicial bem como o recurso em 1936. No entanto, embora Farnsworth tenha ganhado  o caso nos tribunais, em muitos livros de história, Zworykin ainda está registrado como o inventor da televisão. É verdade que Farnsworth recebeu os royalties da RCA pelas suas patentes,  porém, ele nunca obteve o reconhecimento pela invenção que mudou o mundo.

2 -  Máquina de costura: Elias Howe vs. Isaac Singer

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A máquina de costura é comumente associada com Isaac Singer e à Corporação Singer. No entanto, o inventor Elias Howe originalmente patenteou o projeto em 1846.
Em 1849, Howe processou Isaac Singer por roubar sua ideia, e o litígio resultante se arrastou por vários anos. Ele acabou aceitando um acordo em que ambas as partes formaram um pool de patentes para suas empresas , possibilitando  a Howe, receber os royalties de vendas futuras do seu dispositivo.
Ironicamente, a primeira máquina de costura veio de um inventor anterior. Walter Hunt criou uma máquina de costura com um olho agulha em 1834, mas ele decidiu não patenteá-lo, porque ele imaginava que a invenção levaria ao desemprego.


1 -  Monopólio: Clarence B. Darrow vs. Lizzie Magie

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O Monopólio tem uma história longa e variada. A Quaker  Lizzie Magie criou o jogo em 1903. Na época, ele foi nomeado "Jogo do Senhorio", e foi projetado para ensinar as pessoas sobre a injustiça da propriedade da terra.
Ao longo dos próximos 30 anos, o jogo se tornou popular entre os estudantes universitários, Quakers e socialistas. O nome original foi abandonado e o jogo de tabuleiro ficou conhecido como Monopólio.
Na década de 1930, um vendedor de aquecedores desempregado chamado Clarence B. Darrow viu o potencial de negócios de Monopólio e o patenteou. Após o sucesso em vender versões caseiras do jogo, ele conseguiu vender a ideia à uma empresa de brinquedos, a Parker Brothers.
Em uma reviravolta irônica, na década de 1970, os proprietários de Parker Brothers,  processaram um professor de economia pela comercialização de um jogo que era uma paródia do Monopólio: o Anti-Monopólio. A ação foi rejeitada em segunda instância, quando se percebeu que o jogo original do Monopólio foi, de fato, roubado.