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Os caçadores de bruxas e outros fatos curiosos sobre a Arábia Saudita

A Arábia Saudita é uma terra controversa. Embora seja aliado da maioria dos nações ocidentais, o país tem uma longa e chocante reputação em violar os direitos humanos, especialmente em relação ao tratamento dispensado às  mulheres. Mas, mesmo com tudo quanto já ouvimos falar sobre a Arábia, ela ainda nos reserva algumas curiosas peculiaridades, tais como as descritas nessa postagem.


Falta de espadachins

cimitarra

A pena de morte é comumente utilizada na Arábia Saudita, estando o país em quarto lugar no mundo, em número de execuções. Lá, por exemplo,  as pessoas são mortas por crimes como adultério e por renunciarem à fé islâmica. Um grande número dessas execuções são realizadas por decapitação, mas no início de 2013, a Arábia Saudita procurava um método alternativo, por causa da falta de espadachins.

Os carrascos usam uma cimitarra tradicional e realizam a decapitação com um único golpe. A falta destes espadachins especializados, tem causado uma sobrecarga de trabalho para os verdugos sauditas, forçando-os a ficar trabalhando até tarde nas execuções públicas.  O pelotão de fuzilamento é a provável solução a ser escolhida.

O problema na venda de lingeries

As mulheres são basicamente proibidas de trabalhar na Arábia Saudita. Durante décadas, isso significava que as mulheres eram atendidas por homens em lojas de lingerie, algo estranho e constrangedor. Ativistas feministas lideraram um movimento para mudar essa situação, no início de 2012, um decreto foi aprovado, proibindo os homens de trabalhar em lojas de roupas íntimas femininas. A decisão foi contestada por clérigos fundamentalistas, que consideram qualquer trabalho feito por mulheres fora do lar, uma ofensa à charia.

Cerca de 100 lojas que não seguiram a decisão do governo foram fechadas, vários meses depois  da lei entrar em vigor. A lei continua valendo e seis lojas de lingerie foram ameaçadas de fechamento em julho deste ano, após inspeções de surpresa descobrirem que homens continuavam a trabalhar nelas.

Os caçadores de bruxas


Grimório

Na Arábia Saudita, a prática de qualquer tipo de feitiçaria ou magia é ilegal. Os sauditas tem uma unidade policial criada especificamente para a captura de bruxas. As pessoas acusadas desse crime ficam em sérios apuros. Duas empregadas foram condenadas a dez anos de prisão e mil chicotadas cada uma, por terem  praticado magia na casa de seu empregador. A prova incluía talismãs encontrados nos quartos das supostas feiticeiras.

Pode-se dizer que elas tiveram sorte. Centenas de pessoas já foram decapitadas por praticar magia. Sem nenhuma surpresa, Harry Potter é proibido no país. Mais de 500 pessoas foram acusadas​​ de praticar feitiçaria desde 2009. Devido ao código legal da Arábia Saudita dar margem a muitas interpretações, cabe essencialmente ao juiz decidir se a feitiçaria foi realizada e se o acusado merece ser morto.

A compra da inocência

Diyya, comumente traduzida como "dinheiro de sangue", é um sistema que permite aos criminosos indenizar as famílias de suas vítimas financeiramente, deixando a pessoa que cometeu o crime isenta do processo na justiça criminal normal. É uma maneira formalizada de comprar a liberdade.

Diyya se aplica até mesmo em casos de assassinato. A autoridade judicial do país define quanto dinheiro deve ser pago por um crime. Atualmente,  este valor está estipulado em cerca de 106 mil dólares americanos para evitar a punição por assassinato premeditado.

Sidewalk Skiing

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Entre os jovens sauditas torna-se cada vez mais popular uma prática conhecida como “sidewalk skiing”, ou “esqui lateral”, que consiste em andar apenas com duas rodas de um carro durante o maior tempo possível.

A versão mais impressionante envolve mudar os pneus das duas rodas no ar, em movimento. Há vídeos de vários grupos fazendo isso, você pode conferir aqui e aqui. As mulheres são proibidas de dirigir, não importa quantas rodas mantenham no chão.

Roupas muçulmanas para as mulheres americanas

Em 2001, as mulheres dos militares americanos estacionados na Arábia Saudita foram instruídas a usar um véu, enquanto estivessem fora da base. A ideia era evitar ofender os habitantes locais, embora o governo da Arábia Saudita não exija que mulheres não-muçulmanas se vistam de acordo com as regras do Islã. Martha McSally, uma piloto de caça do mais alto escalão da Força Aérea Americana, na época da sugestão, defendia que o procedimento era desnecessário, machista e discriminatório.

McSally processou Donald Rumsfeld, o secretário da Defesa dos Estados Unidos. Ela ganhou e, pouco depois, o Congresso Americano aprovou uma lei tornando ilegal obrigar ou encorajar as americanas a usar o véu na Arábia Saudita.

O problema da água

Um aquífero é uma formação ou grupo de formações geológicas que pode armazenar água subterrânea. A água de um aquífero é muitas vezes chamada de "água fóssil." O nome é apropriado para um país tão dependente dos combustíveis fósseis como a Arábia Saudita.  Os sauditas passaram as últimas décadas drenando um grande aquífero sob o deserto. No início havia tanta água como no Lago Erie, mas, atualmente,  existe apenas 20% do volume original.

Este é um problema para um país com temperaturas médias no verão acima dos 50 graus centígrados. A produção agrícola está sendo reduzida devido às fontes de água cada vez menores. A Arábia Saudita já dessaliniza mais água do mar do que em qualquer outro lugar do planeta, mas ainda não é o suficiente. A fim de atender a demanda, cerca de 200 bilhões de dólares precisam ser gastos em recursos de dessalinização na próxima década.

O maior edifício do mundo

Kingdom-Tower

O título de "edifício mais alto do mundo" tem o histórico de ser almejado apaixonadamente. Em 2018, essa honraria vai pertencer ao Kingdom Tower, o ponto central de uma nova cidade a ser construída na costa da Arábia Saudita. O Kingdom Tower será o primeiro edifício a atingir mais de um quilômetro de altura.  Ele abrigará um hotel, um observatório e escritórios, bem como alguns apartamentos para aqueles que procuram uma boa vista.

Para efeito de comparação, o One World Trade Center, em Nova York, que é o edifício mais alto do hemisfério ocidental, tem 541 metros, apenas pouco mais da metade da altura pretendida pelos construtores do Kingdom Tower. A torre, provavelmente, não será superada por algum tempo. Como um analista descreve, os 1.000 metros do Kingdom Tower são atualmente "os limites do que a engenharia pode fazer."