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Seis desastres naturais que levaram os homens à guerra

1 – A erupção da ilha de Thera em 1600 antes de Cristo

Alguns dos eventos mais importantes da história antiga, bem como várias narrativas da mitologia grega, resultaram de um dos desastres mais espetaculares que já atingiram o leste do Mediterrâneo: a erupção da ilha vulcânica de Thera, hoje conhecida como Santorini, por volta de 1600 antes de Cristo.

Esta enorme explosão, jogou milhões de metros cúbicos de terra e rocha para o ar e no mar, e, em conjunto com um terremoto, provocou um tsunami que varreu o Mar Egeu. A antiga civilização minoica na ilha de Creta foi fatalmente enfraquecida por esse desastre natural. Pouco tempo depois, os minoicos foram conquistados pelos micênicos, invasores guerreiros da Grécia continental que arrasaram os indefesos cretenses e uma série de outras civilizações em todo o Mediterrâneo Oriental.

De fato, registros do Egito falam de condições caóticas da natureza e da humanidade em torno daquela época. No século XIV antes de Cristo, as crônicas egípcias mencionam pela primeira vez, os "Povos do Mar" – invasores marítimos que quase conquistaram o Egito antes de serem finalmente repelidos nos séculos  XII e XIII antes de Cristo. Embora a identidade dos povos do mar permaneça um mistério, é bem provável que eles tenham sido os gregos micênicos, que segundo a lenda, também atacaram a cidade de Tróia, na Ásia Menor, por volta de 1200 antes de Cristo.

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2 – O terremoto em Esparta, em 464 antes de Cristo

Além de viverem encima de uma bomba geológica, os antigos gregos enfrentavam inúmeras divisões étnicas e sociais - os desastres naturais, às vezes,  forneciam o catalisador para essas diferenças explodirem em guerras. Isso era especialmente verdadeiro em Esparta, onde uma população relativamente pequena de esparciatas (cidadãos com plenos direitos) governavam uma vasta população de trabalhadores contratados, conhecidos como hilotas, que não tinham direitos e trabalhavam em condições semelhantes as da escravidão.

Os espartanos sempre temeram uma rebelião dos hilotas, e com razão. Depois de um forte terremoto que nivelou a cidade de Esparta e matou muitos guerreiros espartanos em 464 antes de Cristo, os hilotas aproveitaram a chance e fizeram o que se tornou o levante mais grave da história da cidade. A situação ficou tão terrível, que os espartanos chamaram seus rivais atenienses para ajudar a sufocar a rebelião - mas depois, mudaram de ideia, temendo que os democráticos atenienses  se tornassem simpáticos à causa dos oprimidos hilotas. Os cidadãos de Atenas, sentindo-se humilhados pelos espartanos, ficaram furiosos com a dispensa  do seu contingente. O palco para a Guerra do Peloponeso começava a ser erguido, de modo que dois conflitos resultaram do mesmo desastre!


3 – Seca da Ásia Central, 350 – 450

Como pastores nômades que dependiam dos animais do rebanho para se alimentar e se vestir, os hunos da Ásia Central eram tão vulneráveis ​​à seca como qualquer população agrícola moderna. Assim, quando um período de seca prolongada, que começou por volta do ano 350, devastou sua terra natal e as áreas circunvizinhas, os hunos  mudaram-se para climas mais agradáveis ​​na Europa Oriental e Meridional. Houve alguns pequenos obstáculos, é claro, incluindo as tribos germânicas e o Império Romano, mas os hunos nunca deixaram esse tipo de coisa atrapalhar seus planos. Hordas de guerreiros montados a cavalo saíram da Ásia Central, subjugando várias tribos bárbaras, que se tornaram vassalas dos hunos ou buscaram proteção na fronteira com o Império Romano. No entanto, o Império Romano do Ocidente não conseguia proteger nem a sua própria população, quanto mais as tribos germânicas. Por volta do ano 395, os hunos invadiram o Império Romano do Oriente e o Império Persa. Durante o reinado de Átila, eles devastaram a Europa, dos portões de Constantinopla até a cidade francesa de Orleães. Como já dito, as investidas dos hunos também provocaram as migrações germânicas, que em última análise, resultaram na queda de Roma.

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4 – O misterioso evento climático, 535 – 536

Os hunos desapareceram do cenário histórico pouco depois da morte de Átila e as tribos germânicas que invadiram o Império Romano, entraram em cena. Antigos servos viraram senhores, grandes conquistadores se tornaram escravos e estranhos eventos climáticos continuaram a resultar em conflitos violentos.

Embora ninguém saiba exatamente o que aconteceu, o historiador bizantino Procópio descreve eventos climáticos extremos registrados em 535 e 536, que indicam um resfriamento drástico do planeta. Crônicas irlandesas que cobrem o mesmo período de tempo, também falam de colheitas fracassadas e de invernos rigorosos. Além disso, secas e quebras de safra, ocorridas na mesma época, foram relatadas em lugares tão diversos como China e Peru.

No norte da África, os efeitos desse misterioso evento climático forçaram novos conflitos, com vândalos, mouros e soldados romanos amotinados se rebelando e saqueando os campos após suas demandas por terra terem sido repelidas. Embora a rebelião se espalhasse pela África do Norte, os bizantinos finalmente derrotaram os rebeldes, que de acordo com Procópio, estavam "lutando contra a fome", enquanto também lutavam contra os romanos. Estudiosos contemporâneos especulam que os eventos de 535 e 536 foram causados ​​pela poeira atmosférica resultante de uma enorme explosão vulcânica ou por um cometa ou meteorito que atingiu a Terra.


5 – Dragões de fogo – Oitavo século da nossa era

Embora seja  mais uma vez difícil saber exatamente o que aconteceu (o início do período medieval não ficou conhecido por sua meteorologia precisa), as primeiras incursões vikings, aparentemente, também resultaram de uma sequência de eventos climáticos incomuns, que levaram a colheitas ruins, e por fim, à violência desesperada. As infelizes vítimas dos ataques vikings viviam na Inglaterra, onde os anglo-saxões governavam desde o fim do Império Romano e onde, em 792, os habitantes da Nortúmbria estavam aterrorizados pelo "excesso de turbilhões e tempestades de raios", junto com "dragões de fogo". Enquanto isso, seguindo através do Mar do Norte, na Noruega, as colheitas  foram arruinadas nos anos 792 e 793. Então, provavelmente, não seja mera coincidência que uma das primeiras incursões vikings: a pilhagem do famoso mosteiro de Lindisfarne, tenha ocorrido em janeiro de 793. E isso foi apenas o começo, secas atingiram novamente a Europa Ocidental em 794 e 797.

Uma possível explicação: estudiosos contemporâneos especulam que os "dragões de fogo" podem ter sido chuvas de meteoros, que cobriram os céus com poeira atmosférica, resultando em outro período de frio rigoroso; crônicas chinesas descrevem repetidas chuvas de meteoros nessa mesma época.

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6  - Seca na América Central – Nono e  décimo séculos da nossa era

Mudanças climáticas severas, provavelmente, foram responsáveis ​​por grande parte das guerras que acompanharam o colapso da civilização maia clássica, no início do oitavo século da nossa era. Embora os maias vivessem no meio de exuberantes florestas tropicais, havia, na verdade, poucas fontes de água doce disponíveis durante todo o ano. Os maias das cidades-estado contavam com técnicas avançadas para a coleta e  o armazenamento da água da chuva, usada na agricultura e no consumo humano. Tamanha dependência da chuva, os tornava particularmente vulneráveis ​​às secas repetidas. E isso foi exatamente o que aconteceu em intervalos de 50 anos em 760, 810, 860 e 910, de acordo com os cientistas que estudaram amostras de sedimentos do Mar do Caribe para determinar a quantidade de chuvas durante o citado período.

Essas quatro secas correspondem a fases distintas do declínio e eventual colapso da civilização maia. Essa e outras condições ambientais adversas desencadearam uma série de acontecimentos que culminaram no fim da civilização maia: cidades-estados rivais lutando pelos parcos recursos, cidades-estado dissolvidas na guerra civil e as populações migrando em busca de comida. Registros maias e descobertas arqueológicas indicam que durante este período, as guerras foram travadas com mais frequência, com mais pessoas envolvidas e com métodos mais brutais. Entre as evidências arqueológicas estão fortificações construídas ao redor até mesmo de pequenas aldeias, traumas esqueléticos resultantes de combates e o súbito aparecimento de objetos estranhos à época, o que sugere que, além dos conflitos internos, os maias também tenham sido atacados por povos estrangeiros.

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