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O dia em que Berlim foi bombardeada com chocolate

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha, como se fosse um bolo, foi dividida entre os Aliados. Logo surgiram as primeiras divergências porque entre os vencedores havia profundas diferenças ideológicas e modelos de Estados totalmente distintos.

Estados Unidos, Grã Bretanha e França queriam erguer uma nação forte e próspera das ruínas do Terceiro Reich, enquanto que a União Soviética pretendia aumentar ainda mais o sofrimento do povo alemão, sendo Moscou contrária a qualquer tipo de progresso, prosperidade ou iniciativa de melhorias econômicas para seus antigos inimigos.

Em 1948, o governo bolchevique de Stalin decidiu bloquear completamente os acessos rodoviários e ferroviários à Berlim, deixando a cidade sem alimentos, suprimentos médicos ou qualquer outra matéria-prima essencial para a sobrevivência das pessoas.

Essa atitude dos soviéticos gerou um conflito diplomático com o bloco formado por americanos, britânicos e franceses. Nascia a famosa Guerra Fria. Os Aliados Ocidentais passaram então a buscar meios para criar um acesso que lhes permitisse abastecer a capital alemã. Sendo assim, em 25 de junho de 1948 foi lançada a "Operação Vittles", cujo objetivo era enviar suprimentos por via aérea para o aeroporto de Tempelhof.

Candy Bombers
A ponte aérea para Berlim, nomeada Luftbrücke, começou a ajudar os berlinenses que já não tinham o básico para sobreviver devido ao bloqueio dos russos.

Mas como você sabe, a história não é feita de apenas grandes feitos e conquistas, mas também de pequenos atos, de pequenos gestos individuais que podem mudar o curso dos acontecimentos. Em um dos voos para entregar comida aos alemães, Gail Halvorsen, um piloto americano de 28 anos, lançou doces e chocolates amarrados em um lenço, como se fosse um paraquedas, para um grupo de crianças que aguardava a passagem do avião com a ajuda aliada.

Gail-Halvorsen

Gail Halvorsen, o primeiro piloto a lançar doces sobre Berlim


Esse ato solitário tornou-se algo muito maior quando outros pilotos decidiram seguir o exemplo de Gail e começaram a cobrir Berlim com pequenos paraquedas contendo guloseimas; nascia uma missão dentro de outra, que ficaria conhecida como "Operação Little Vittles".

Quando a notícia chegou aos ouvidos dos comandantes do exército americano, eles decidiram transformar o gesto em uma arma de propaganda política, cuja intenção era mostrar ao mundo o "quão bom era o capitalismo quando comparado ao comunismo". Para tanto, apoiaram a iniciativa, dando-lhe todo tipo de publicidade e repercussão, o que provocou a criação de programas específicos de doação de guloseimas para que fossem  lançadas às crianças berlinenses.

Várias foram as empresas de confeitaria que fizeram doações generosas de doces, que depois cairiam sobre Berlim em  pequenos paraquedas feitos especialmente para a missão.

Little Vittles
Os "Candy Bombers" ou "Raisin Bombers", como ficaram conhecidos os pilotos que transportavam e lançavam os doces, tornaram-se muitos populares e eram esperados com ansiedade pelas crianças de Berlim.

Após um ano do bloqueio soviético à Berlim ( 1948 – 1949 ), mais de 23 toneladas de chocolate, balas e doces foram lançadas sobre a cidade.

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