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O experimento de Guillaume Duchenne

Quando a fotografia entrou em cena na década de 1830, os cientistas logo perceberam que ela poderia revelar segredos de mundos invisíveis, desde bactérias microscópicas até  galáxias distantes. Alguns também acreditavam que a câmera poderia ir mais longe do que a mera  imagem de uma superfície por si só,  na opinião desses homens, a fotografia poderia fornecer informações sobre o funcionamento interno do corpo, da mente e até mesmo do exato momento da morte. As fotografias mais extremas do século 19 foram feitas por cientistas que buscavam respostas para perguntas sérias sobre a natureza da nossa existência. Um desses homens foi o francês Guillaume Duchenne.

Guillaume Benjamin Amand Duchenne (Boulogne-sur-Mer, 17 de setembro de 1806 — Paris, 15 de setembro de 1875) foi um médico neurologista francês. Graças a suas contribuições sobre os efeitos da eletricidade no ser humano, é considerado o pai da Eletroterapia, recurso terapêutico utilizado por fisioterapeutas no tratamento, reabilitação e cura de diversas doenças. Wikipédia

Em 1862, Duchenne quis testar a teoria popular de que o rosto estava diretamente ligado à alma. Ele já havia feito alguns experimentos onde aplicava choques elétricos em músculos lesionados de pacientes e argumentava que, se pudesse aplicar correntes elétricas no rosto de um sujeito, ele poderia estimular os músculos e fotografar os resultados. O problema era que, embora fosse fácil ativar respostas físicas com choques elétricos, a maioria das pessoas relaxava imediatamente após o choque ter passado, rápido demais para uma câmera da época ser capaz de registrar.

Um sapateiro, paciente do hospital onde Duchenne trabalhava, sofria da paralisia de Bell. Essa doença causa paralisia facial, o que significava que o sapateiro ficaria com sua expressão por alguns minutos, depois de receber o tratamento de eletro-choque; tempo suficiente para o fotógrafo  registrar sua expressão.

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Duchenne submeteu o sapateiro a mais de 100 sessões, aplicando eletrodos em várias partes de seu rosto a fim de  extrair uma  gama variada de emoções. Enquanto isso, Paul Tournachon batia as fotografias.  Os resultados foram publicados em Mecanisme de la physionomie Humaine. A obra foi apreciada por muitos intelectuais da época, entre eles Charles Darwin.

Ainda que a experiência seja aterradora e desumana aos nossos olhos, algo de bom saiu dela. Duchenne conseguiu determinar que, quando uma pessoa expressa um sorriso genuíno, alguns músculos específicos são ativados. Na fisiologia, o sorriso autêntico é chamado de sorriso de Duchenne.

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