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5 romances que mudaram a história do mundo

O amor pode realmente mudar o mundo? É tão importante a ponto de modificar o curso da história? Os romances descritos nessa postagem provam que sim. Para melhor ou para pior, pela violência ou por meio da ciência, por meio de lei ou através da religião, eles contribuíram para a formação do nosso mundo tal como o conhecemos.



1 – Cleópatra e Marco Antônio

Antônio e Cleópatra
Cleópatra VII do Egito é muitas vezes lembrada por seus lendários poderes de sedução e por sua astúcia para formar alianças poderosas. Contudo, sua última política e romântica parceria com o general romano Marco Antônio, provocou a morte de ambos e derrubou a centenária dinastia ptolomaica, a qual ela pertencia. Em 41 a.C, Antônio assumiu a administração das províncias ao leste de Roma, então, chamou Cleópatra para que ela respondesse às acusações de ter ajudado os inimigos de Roma. Na esperança de conquistar Antônio como fizera antes com  Júlio César, Cleópatra foi ao encontro dele, em Tarso, a bordo de seu magnífico navio real, luxuosamente preparado para recepcionar o triúnviro. A rainha do Nilo estava  vestida como Vênus,  a deusa romana do amor.  Antônio, seduzido e apaixonado,  seguiu-a de volta para Alexandria, comprometendo-se a proteger o Egito e a coroa de Cleópatra. No ano seguinte, ele voltou à Roma para provar sua lealdade ao Império, casando-se com a meia-irmã de Otaviano, seu co-regente; Cleópatra, por sua vez, deu à luz a gêmeos de Antônio e continuou a governar sobre um Egito cada vez mais próspero.

Antônio voltou para Cleópatra vários anos depois e declarou que Cesário, o suposto filho dela com Júlio César, era o legítimo herdeiro de César. Otaviano, furioso com essa  guerra de propaganda, alegou que Antônio estava inteiramente sob o controle de Cleópatra e  que abandonaria Roma para fundar uma nova capital no Egito. Em 32 a.C, Otaviano declarou guerra à Cleópatra. Em 31 a.C, suas forças derrotaram as de Antônio e Cleópatra na Batalha de Áccio. No ano seguinte, Otaviano chegou a Alexandria e novamente venceu o rival. No rescaldo da batalha, Cleópatra refugiou-se no mausoléu que ela tinha construído para si mesma. Antônio, falsamente informado de que sua amante havia morrido, cometeu suicídio, apunhalando-se com sua espada. Em 12 de agosto de 30 a.C, depois de enterrar Antônio e encontra-se  com o vitorioso Otaviano, Cleópatra fechou-se em seu quarto com duas de suas servas e suicidou-se; de acordo com os seus desejos, o corpo dela foi enterrado com o de Antônio. Otaviano (mais tarde imperador Augusto I) pode celebrar a sua conquista do Egito e sua consolidação do poder em Roma.

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2 – Henrique VIII e Ana Bolena

Henrique VIII e Ana Bolena
Os historiadores reconhecem que uma combinação de fatores transformou a Inglaterra numa nação protestante, porém, a paixão fugaz, mas intensa de Henrique VIII por uma jovem carismática chamada Ana Bolena,  teve papel fundamental nessa mudança. Por volta de 1525, o monarca de meia-idade estava descontente com sua primeira esposa, Catarina de Aragão, católica devota e imensamente popular, porque ela não tinha conseguido dar-lhe um herdeiro do sexo masculino. Os olhares do rei concentraram-se em Ana, uma inteligente e bela dama de companhia, cujo pai era um ambicioso cavaleiro e diplomata. Ao contrário de sua irmã Maria, uma das antigas conquistas de Henrique, Ana esnobava as elaboradas investidas do rei, não deixando-se  ser seduzida sem antes ter uma promessa de casamento. Em 1527, Henrique pediu ao Papa Clemente VII a anulação de seu casamento com Catarina,  mas não recebeu a permissão para romper o indesejado matrimônio. Incentivado por assessores contrários ao papado, ele secretamente casou-se com Ana em 1533, rompendo com a Igreja Católica Romana e auto nomeando-se chefe da Igreja da Inglaterra pouco depois.

O encantamento de Henrique com sua segunda rainha rapidamente começou a desvanecer-se, especialmente quando ela também se mostrou incapaz de produzir-lhe o herdeiro varão que ele tão desesperadamente desejava. Em 1536, o rei prendeu Ana e a decapitou, usando falsas acusações de bruxaria, incesto e adultério como argumento para a pena; 11 dias mais tarde, ele casou-se com Joana Seymour, a terceira de suas seis esposas. Nas décadas que se seguiram, as questões em torno da religião oficial do Estado continuariam a dividir e enfraquecer o reino,  foi somente no reinado de Elizabete I, filha de Henrique com Ana, que a igreja protestante consolidou-se na Inglaterra.


3 – Pierre e Marrie Curie

Pierre e Marie Curie
Quando Marie Sklodowska casou-se com Pierre Curie em 1895, os dois embarcaram em uma parceria extraordinária que iria fazê-los ganhar renome e influenciar gerações de cientistas em todo o mundo. Nascida em 1867, em Varsóvia, Polônia, Marie graduou-se em ciências físicas e matemáticas na Sorbonne, em Paris. Em 1894, a cientista conheceu Pierre Curie, físico e químico francês oito anos mais velho do que ela.  Os dois tinham um grande interesse por magnetismo e paixão pelo ciclismo, um ano depois, estavam casados. À procura de um tema para sua tese de doutorado e intrigada com a descoberta acidental da radioatividade pelo físico Henri Becquerel em 1896, Marie Curie começou a estudar os raios de urânio; logo, Pierre se juntou a ela em sua pesquisa. Em 1898, um ano após a chegada de sua filha Irène, os Curie descobriram o rádio e o polônio, assim nomeado em homenagem a pátria de Marie. Em 1902, eles isolaram com sucesso sais de rádio radioativos do mineral pechblenda. No ano seguinte, o casal dividiu o Prêmio Nobel de Física com Becquerel por seu trabalho pioneiro sobre radioatividade.

Em 1904, Marie deu à luz uma segunda filha e Pierre foi nomeado para a cadeira de física na Sorbonne. Dois anos depois, ele faleceu em um acidente em Paris. Embora devastada, Marie prometeu continuar seu trabalho e foi nomeada para a cátedra que pertencia a seu marido na Sorbonne, tornando-se a primeira mulher a lecionar naquela universidade. Mais tarde, ela passou a  interessar-se nas aplicações médicas de substâncias radioativas, incluindo o potencial do rádio como uma terapia para o câncer, e dirigiu o Instituto de Rádio da Universidade de Paris, um importante centro de química e de física nuclear. Marie morreu em 1934 de leucemia, causada por quatro décadas de exposição à substâncias radioativas. Irène Curie continuou a tradição da família, compartilhando o Prêmio Nobel de Química de 1935 com seu marido, pela descoberta da radioatividade artificial.


4 – Czar Nicolau II e Alexandra de Hesse

Nicolau II e Alexandra de Hesse
Pegue um cenário de agitação revolucionária, adicione um místico oportunista e um jovem príncipe com uma doença incurável e  sua trama terá todos os elementos melodramáticos de um sensacional best-seller. Contudo, essa é a história real do czar Nicolau II e sua esposa,  Alexandra de Hesse.

A neta da rainha Vitória da Inglaterra, Alice Vitória Helena Luísa Beatriz, mais tarde conhecida como Alexandra Feodorovna Romanov, rejeitou um casamento arranjado com seu primo, o príncipe Alberto Vítor, depois de se apaixonar, ainda adolescente, por Nicolau, herdeiro do trono russo. Igualmente apaixonado, o príncipe convenceu seu relutante e enfermo pai a concordar com a união. Os dois se casaram em novembro de 1894, apenas algumas semanas após a morte do czar Alexandre III e da coroação de Nicolau.

Embora forjado em meio a grande tristeza, o casamento foi feliz e apaixonado, gerando quatro filhas e um filho, Alexei. De seu pai, o jovem filho do czar herdou o direito ao trono russo, mas sua mãe lhe deixou um legado bem mais pesado: o gene mutante da hemofilia, o qual tanto Alexandra quanto sua avó Vitória eram portadoras. Com medo de perder Alexei, seus pais se tornaram cada vez mais dependentes do polêmico "monge louco" Grigori Rasputin, cujo tratamento com hipnose parecia diminuir as hemorragias do menino. A influência política de Rasputin sobre o czar e a czarina minou a confiança do público russo na dinastia Romanov e contribuiu para a sua derrubada durante a Revolução de Fevereiro de 1917. Nicolau, Alexandra e seus filhos foram executados em 16 de julho de 1918, por ordem do líder bolchevique Vladimir Lenin. Indiretamente, pelo menos, o romance do casal real abriu um novo e sangrento capítulo na história da Rússia.

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5 - Mildred e Richard Loving

Mildred e Richard Loving
Richard Loving, um homem branco, conheceu Mildred Jeter, uma amiga da família, de ascendência africana e nativa americana, quando ambos eram adolescentes, sendo que a relação rapidamente se transformou em amor.  Em junho de 1958, o casal viajou  128 quilômetros de sua terra natal, Virgínia, onde as chamadas leis de "anti-miscigenação" proibiam as uniões inter-raciais, para trocar seus votos em Washington, a capital americana. Cinco semanas mais tarde, policiais entraram pela porta da frente, que estava destrancada e acordaram os recém-casados no meio da noite. Quando o xerife perguntou o que ele estava "fazendo na cama com essa mulher", Richard, então com 24 anos de idade,  simplesmente apontou para a certidão de casamento pendurada na parede. Presos e acusados de "coabitar como marido e mulher, contra a paz e a dignidade da comunidade", os dois foram condenados a um ano de prisão ou um exílio de 25 anos para loge de seu estado de origem.

O casal mudou-se para Washington, onde viveram por cinco anos e tiveram três filhos. Em 1964, frustrados por  não poderem  viajar juntos para visitar suas famílias na Virgínia,  isolados socialmente e com  dificuldades financeiras, eles escreveram um protesto ao procurador-geral dos Estados Unidos Robert F. Kennedy. Kennedy encaminhou a carta  para a União Americana pelas Liberdades Civis. Advogados voluntários levaram o caso até a Suprema Corte. No processo Lovings versus Virgínia, de 1967, os magistrados decidiram por unanimidade que a proibição de casamentos inter-raciais na Virgínia e em 15 outros estados americanos eram inconstitucionais. Richard morreu em um acidente de carro em 1975, Mildred permaneceu na casa da Virgínia que ambos tinham construído, até sua morte, em 2008. 

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