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Os 5 gols mais decisivos do Brasil em Copas do Mundo

O que é um gol decisivo? Na minha opinião, é aquele que em uma partida importante muda todo o cenário do jogo, é aquele que impede a vitória quase certa do adversário. É o gol que renova as energias físicas e psicológicas da equipe que o marca e derruba as forças do time que o leva. É o gol que, no último minuto, leva a partida para a prorrogação, é aquele que dá a vitória quando um empate torturante teimava em estampar o placar. Tomando esses meus critérios em consideração, estes são, em ordem cronológica, os 5 gols mais decisivos do Brasil em Copas do Mundo.


1 – O gol de Pelé contra o País de Gales em 1958


Pelé beija a taça Jules Rimet
A seleção brasileira chegou na Suécia, em 1958, com dois fracassos na mala: o maracanaço de 1950 e a participação sem brilho na Copa de 1954, contudo, também tínhamos duas armas secretas. Pelé e Garrincha, ainda praticamente desconhecidos dos europeus, mas já ídolos no Brasil.

Depois de um empate sem gols contra a Inglaterra, o técnico Feola resolve mexer na equipe, e, na partida contra os soviéticos, na época famosos pelo chamado “futebol científico”, Pelé e Garrincha começam como titulares. Vitória brasileira com dois gols de Vavá e atuações magistrais da jovem dupla de ataque do Brasil.

A primeira partida eliminatória da seleção em 1958 foi contra o País de Gales. Perder significaria a volta para casa e uma nova decepção para o povo brasileiro. Apesar do enorme bombardeio do nosso ataque sobre os galeses, o placar permanecia no zero a zero, graças ao goleiro Kelsey, uma muralha responsável por pelos menos 20 defesas dificílimas. Em uma das poucas investidas da seleção galesa, Allchurch chegou a acertar a trave de Gilmar. Os brasileiros tem um gol de bicicleta de Mazzola anulado, a partida segue nervosa, um verdadeiro teste para cardíacos. Então, aos 13 minutos do segundo tempo, Pelé marca pela primeira vez em uma Copa do Mundo. Vitória brasileira e o direito assegurado de continuar sonhando com o tão almejado título mundial.


2 – O gol de Clodoaldo contra o Uruguai em 1970

Gol de Clodoaldo contra o Uruguai em 1970
Hoje, a maioria dos ditos especialistas em futebol, coloca a seleção brasileira de 1970 como o maior time de futebol de todos os tempos. Na época, porém, o cenário era diferente. A equipe saíra do Brasil desacreditada e muitos diziam que o escrete canarinho repetiria o fraco desempenho de 1966.

As grandes atuações em campo logo dissiparam todas as dúvidas. Pelé, Rivelino, Tostão, Jairzinho e companhia encantavam o mundo a cada gol, a cada jogada os adversários iam ficando para trás. Contudo, no meio do caminho havia um Uruguai, e, junto com ele, os fantasmas de 1950 que continuavam a  assombrar os brasileiros.

Todos sabiam que o jogo seria uma guerra. No dia 17 de julho de 1970, 51 mil pessoas lotavam o Estádio Jalisco, em Guadalajara, na expectativa de reviverem a dramática decisão de 1950. Para aumentar ainda mais a tensão, o Uruguai sai na frente com um gol de Cubilla. Cada ataque do Brasil é rechaçado pela viril, e por vezes violenta, defesa uruguaia. O primeiro tempo se aproxima do final, para nós, ir para o intervalo perdendo seria um inferno psicológico, parecia que a mística da celeste mais uma vez venceria a superioridade técnica da amarelinha. Porém, aos 45 minutos, Clodoaldo empata e renova o espírito do time para o segundo tempo. Jairzinho e Rivelino decretariam a vitória brasileira, abrindo caminho para o tricampeonato.


3 – O gol de Bebeto contra os Estados Unidos em 1994

Bebeto marca contra os Estados Unidos
Copa do Mundo de 1994. Vinte e quatro anos desde o tricampeonato do Brasil no México e uma geração de jovens brasileiros ansiosos para ver a seleção ser campeã do mundo. Para comandar o time nessa jornada estava Carlos Alberto Parreira e seu pragmático esquema tático, onde o gol era apenas um detalhe.

Na fase de grupos, passamos com facilidade, embora sem brilho. Nosso adversário nas oitavas-de-final, os Estados Unidos, anfitriões da Copa,  não parecia ser um grande problema. Afinal de contas,  o futebol por lá nunca havia decolado, a vitória brasileira despontava em raios fúlgidos no horizonte.

Uma série de fatores, porém, complicou a vida do escrete canarinho. A partida ocorreu no dia 4 de julho, o mais sagrado feriado americano: o Dia da Independência deles. Possuídos pelo espírito patriótico e empurrados pela euforia da torcida, os jogadores americanos defendiam cada metro quadrado do campo com vontade redobrada. É claro, que nosso time, recheado de jogadores defensivos, também teve sua culpa em tornar a partida tão angustiante. Para piorar ainda mais, Leonardo é expulso, depois de atingir com violência o jogador Tab Ramos. Só vencemos graças a um gol salvador de Bebeto, que depois de grande jogada de Romário, finaliza com rara precisão.


4 – O gol de Branco contra a Holanda em 1994

Branco contra a Holanda em 1994
A Copa de 1994 realmente foi conquistada à base do sofrimento. Cada adversário era um gigante a ser abatido. Depois da fase de grupos, não houve jogo fácil para a seleção brasileira. Pelas quartas-de-final enfrentamos a Holanda, sempre um time habilidoso e  perigoso. Tudo corria muito bem, vencíamos tranquilamente por 2 a 0, quando a partida começou ganhar contornos de desespero. Os holandeses empataram o jogo, dominaram o meio-campo e ameaçavam a meta de Taffarel com frequencia.

Então, a bola parada tornou-se a nossa salvadora. Depois de sofrer uma falta, Branco, o velho é bom lateral-esquerdo, cuja convocação fora tão contestada, dispara o petardo e vence o goleiro holandês. Destaque também para a participação de Romário, que sai da direção da bola no momento exato, um pouquinho mais de demora e o baixinho agiria como um zagueiro da Holanda, provavelmente desviando a bola da direção do gol.

A Copa de 1994 também nos ofereceu outro gol decisivo, o marcado por Romário contra a Suécia nas semifinais, mas para essa postagem, dois já são o suficiente.


5 – O gol de Ronaldinho Gaúcho contra a Inglaterra em 2002


Ronaldinho marca contra a Inglaterra em 2002
Depois de sofrermos a humilhante derrota para a França em 1998, coube ao técnico Felipão conduzir a seleção rumo ao pentacampeonato em 2002. Na minha opinião, o único jogo daquele mundial que representou um certo perigo para o time brasileiro, foi o contra a Inglaterra, válido pelas quartas-de-final.

A Inglaterra marcou primeiro com Owen e dominou amplamente o primeiro tempo, mas, já nos acréscimos da etapa inicial, Rivaldo empatou, concluindo uma jogada genial de Ronaldinho Gaúcho. No segundo tempo, Ronaldinho marcou o gol da vitória em uma cobrança de falta de longa distância que encobriu o adiantado goleiro Seaman. O craque brasileiro jura que o chute foi calculado, mas há quem diga que o gol foi sem querer. A partida tornou-se ainda mais dramática, quando Ronaldinho Gaúcho foi expulso, depois de ter dado uma solada em Mills, mas o time de Felipão conseguiu segurar o placar, garantindo a vaga nas semifinais.

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