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8 fatos sobre a poderosa Guarda Pretoriana

A Guarda Pretoriana de Roma foi uma das unidades militares mais prestigiadas do mundo antigo. Formada por soldados escolhidos a dedo, os pretorianos  são conhecidos por terem  servido de guarda-costas dos governante romanos, mas eles também foram utilizados em muitos outros serviços do Império. A Guarda Pretoriana lutou ao lado das legiões em campanhas de guerra, sufocou revoltas dos povos conquistados e acalmou os ânimos em protestos caseiros, além disso,  serviu como segurança em espetáculos de gladiadores e corridas de bigas. Conheça 8 fatos interessantes sobre esses soldados de elite da Antiguidade.


1 – A Guarda Pretoriana se originou durante a República Romana

Pretoriano
A Guarda Pretoriana está intrinsecamente ligada à era imperial de Roma, mas as suas origens remontam a grupos de soldados de elite que protegiam os generais durante a República Romana. Já no século II a.C, unidades especiais foram selecionadas para proteger líderes romanos famosos, como Marco Antônio, Cipião Africano e  Sula,  sempre que estes se aventuravam em campo. Foi Júlio César quem transformou a décima legião em sua  guarda pessoal, mas a Guarda Pretoriana como a história imortalizou, surgiu somente depois que Augusto se tornou o primeiro imperador de Roma, em 27 a.C. Após subir ao trono, Augusto estabeleceu seus próprios guardas imperiais,  compostos de nove coortes de 500 a 1.000 homens cada. A unidade perduraria como um símbolo do poder imperial por mais de 300 anos. Lá pelo ano 23 d.C, os pretorianos passaram a operar a partir de sua própria fortaleza, a Castra Praetoria, localizada nos arredores de Roma.


2 – Os Pretorianos atuavam como bombeiros em emergências

Incêndio de Roma
O fogo era uma ameaça constante na Antiga Roma e, embora o Império tivesse um corpo dedicado de combate a incêndios chamado de "Vigiles," não era incomum os pretorianos do imperador ajudarem no caso de um incêndio particularmente feroz. É sabido que a Guarda Pretoriana combateu um incêndio no templo de Vesta, e, provavelmente, também esteve envolvida na criação de aceiros durante a conflagração infame que destruiu a maior parte de Roma durante o reinado de Nero. Embora números significativos provem que os pretorianos realmente tenham ajudado a combater incêndios, sua presença nesses desastres também também tinha um componente de relações públicas. Ao enviar sua guarda pessoal para auxiliar em calamidades, o imperador mostrava aos cidadãos o quanto  ele estava preocupado com o bem-estar deles.

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3 – A Guarda Romana atuava nos jogos romanos

Jogos romanos
A Guarda Pretoriana, muitas vezes controlava a multidão nos jogos romanos, mas de vez em quando, também entrava na arena para desempenhar um papel ativo no derramamento de sangue. Há evidências de que a Guarda participou em horríveis espetáculos com animais selvagens para demonstrar sua destreza em combate, ela também  teve um  papel notório na "Naumaquia", uma  batalha naval encenada, organizada pelo imperador Cláudio, em 52 d.C. Nessa macabra peça, 19.000 homens e cerca de 100 barcos colidiram em um combate simulado no lago Fucine. A maioria dos participantes eram prisioneiros e escravos; os pretorianos, armados com catapultas e balistas, cercaram o infernal teatro em balsas,  adicionando o caos ao espetáculo e impedindo qualquer dos condenados de escapar.


4 – Os pretorianos agiam como uma força policial secreta

Guarda Pretoriana
Os pretorianos eram conhecidos por se envolverem em espionagem, intimidações, prisões e assassinatos para proteger os interesses do imperador romano. Para as operações clandestinas, eles empregavam uma ala especial da unidade, formada por pretorianos conhecidos como "Speculatores." Durante a república, essa divisão da Guarda servia como um corpo de reconhecimento, mas na era imperial, esses pretorianos passaram  a  servir como mensageiros e agentes de inteligência a serviço do César. Speculatores e outros membros da Guarda Pretoriana disfarçavam-se como cidadãos comuns em competições de gladiadores, espetáculos teatrais e protestos para monitorar e prender qualquer pessoa que criticasse o imperador. Eles também mantinham o controle sobre os suspeitos de serem inimigos do Estado e, em alguns casos, até mesmo  executavam  secretamente os considerados uma ameaça iminente ao imperador ou às suas políticas.


5 – A Guarda participou nos assassinatos de vários imperadores

Coroação de Cláudio
O pretorianos podem ter sido encarregados de proteger o imperador romano, mas eles também foram a maior ameaça à vida desses  monarcas. A Guarda Pretoriana foi protagonista nas teias de sedição que caracterizaram a Roma Imperial; os pretorianos estavam dispostos a matar e a instalar novos imperadores quando tentados por promessas de dinheiro ou de poder. Pretorianos descontentes arquitetaram o assassinato de Calígula e a seleção de Cláudio como seu sucessor em 41 d.C. Entre outros, a Guarda também teve  papel crucial no assassinato de Cômodo em 192, Caracala em 217, Heliogábalo em 222 e  Pupieno e Balbino em 238. Em alguns casos, os pretorianos eram parcialmente responsáveis tanto por empossar quanto por assassinar um aspirante a imperador. Galba subiu ao trono em 68 d.C, depois de ganhar o apoio da Guarda, apenas para ser morto em suas mãos no ano seguinte, porque ele deixou de recompensá-los adequadamente. Da mesma forma, o Imperador Pertinax foi confirmado pelos pretorianos em 193 e, em seguida, morto apenas três meses mais tarde, quando ele tentou forçá-los a aceitar novas medidas disciplinares.


6 – Os pretorianos  leiloaram o trono de Roma

Guarda Pretoriana
De acordo com o antigo historiador Dião Cássio, depois de assassinar o imperador Pertinax em 193 d.C, a Guarda Pretoriana tentou lucrar com o vácuo de poder, colocando o trono romano a leilão. Depois de uma breve guerra de lances entre o ex-cônsul Dídio Juliano e Tito Flávio Cláudio Sulpiciano, os pretorianos teriam vendido o controle do Império a Juliano pela enorme soma de 25.000 sestércios por homem. O incidente é um dos episódios mais famosos da história da unidade, mas alguns historiadores afirmam que o relato de Dião sobre o leilão imperial é exagerado. É verdade que Juliano pagou aos pretorianos uma fortuna pelo seu apoio, contudo, a Guarda Pretoriana também foi motivada pelo medo de que Sulpiciano buscasse vingança pela morte de seu genro, Pertinax, depois que subisse ao trono.


7 - Os pretorianos lutaram uns contra os outros em batalha

Vespasiano é declarado Imperador
Um dos incidentes mais incomuns na história dos pretorianos aconteceu no ano 69, quando o general Vitélio derrotou o Imperador Otão e tomou o trono romano. Temendo ser assassinado nas mãos dos pretorianos leais a Otão, Vitélio dispensou os membros permanentes da Guarda Pretoriana e os substituiu por uma nova e maior força, composta de soldados recrutados em suas próprias legiões. Infelizmente para Vitélio, seu reinado durou poucos dias, somente até Vespasiano, o comandante das legiões da Judéia, declarar-se imperador e marchar para Roma. Vespasiano alistou vários dos pretorianos desempregados de Otão em seu exército, esses soldados mais tarde entraram em confronto com a Guarda de  Vitélio em uma série de batalhas acirradas na periferia da cidade eterna. Vespasiano acabou por prevalecer e os pretorianos de Otão tiveram suas posições anteriores restauradas.

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8 – A Guarda foi dissolvida por apoiar um pretendente ao trono

Batalha da Ponte Mílvia
A estrutura da Guarda Pretoriana foi alterada drasticamente no final do segundo século, quando o imperador Septímio Severo demitiu seus membros e começou a recrutar guarda-costas diretamente das legiões. Ainda assim, o papel dos pretorianos como  guardiões do trono romano só terminou oficialmente no quarto século. Em 306, os pretorianos tentaram desempenhar o papel de fazedores de reis pela última vez, quando empossaram o usurpador Maxêncio como imperador ocidental, em Roma. Depois de uma sucessão vertiginosa de guerras civis e reivindicações rivais ao trono, Maxêncio e seus pretorianos foram confrontados pelo imperador Constantino em 312, na batalha da Ponte Mílvia. Conta a história que os pretorianos resistiram com bravura ao longo do rio Tibre, mas foram derrotados e Maxêncio foi morto. Convencido de que os pretorianos já não eram confiáveis, Constantino dissolveu a unidade de uma vez por todas, transferiu seus membros para a periferia do Império e supervisionou a destruição de seus quartéis na Castra Praetoria.

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