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6 influentes reinos que nunca existiram de verdade

Viajantes antigos muitas vezes espalhavam relatos de  cidades fabulosas, ilhas fantasmas e civilizações exóticas localizadas nas profundezas  inexploradas do globo. Essas terras fantasiosas logo eram esquecidas, jogadas nas categorias de mitos e lendas, mas algumas fizeram partes de relevantes mapas do mundo e ajudaram a inspirar várias das viagens de exploração mais importantes da história. A partir de um lendário império cristão na Ásia até um suposto reino perdido no Canadá, saiba mais sobre seis reinos de extrema influência que nunca existiram de verdade.


1 – O Reino do Preste João

Ilustração do Preste João em um mapa da África Oriental
Por mais de 500 anos, os europeus acreditaram que um rei cristão governava um vasto império em algum lugar nos confins da África, Índia ou no Extremo Oriente. O mito ganhou popularidade em 1165, depois que o imperador  bizantino, o Papa e monarcas europeus receberam uma carta, provinda supostamente de um rei chamado "Preste João". Nela, o misterioso rei afirmava servir como "governante supremo das três Índias" e todos os seus 72 domínios. Ele descrevia o seu reino como uma utopia, rico em ouro, cheio de leite e mel, povoado por raças exóticas de gigantes e homens com chifres. Talvez o mais importante de tudo, Preste João e seus súditos eram cristãos; a própria palavra "Preste" é uma corruptela do francês Prêtre, ou seja, padre.

A missão enviada pelo Papa para encontrar a corte do Preste João desapareceu sem deixar vestígios, mas o mito desse reino tomou conta das mentes na Europa. Os Cruzados se alegraram com a ideia de que um governante devoto pudesse vir em seu auxílio na luta contra os muçulmanos, e quando as hordas mongóis de Genghis Khan conquistaram partes da Pérsia no início dos anos 1200, muitos erroneamente creditaram o ataque às forças de Preste João. O reino fantástico mais tarde tornou-se um tema de fascínio para os viajantes e exploradores. Marco Polo contou uma história duvidosa a respeito de enfrentar seus remanescentes no norte da China, Vasco da Gama e outros marinheiros portugueses tentaram encontrá-lo na África e na Índia.

Os exploradores, por fim, acabaram por descobrir uma civilização cristã, na distante Etiópia. Apesar das igrejas suntuosas,  faltava a cristandade etíope a grandeza e o ouro que os europeus tinham associado com o reino do Preste João. Além disso, o cristianismo praticado na Etiópia era bem diferente do europeu. Lá pelo século XVII, a lenda havia desaparecido e o famoso império foi retirado da maioria dos mapas.


2 – Hy Brazil

John Cabot
Muito antes dos europeus terem pisado no Novo Mundo, os exploradores  já procuravam a ilha de Hy-Brazil, um atol espectral que os mitos diziam estar localizado ao largo da costa oeste da Irlanda. A história da ilha vem, provavelmente, de lendas celtas, mas as suas origens exatas não são claras. Hy-Brazil começou a aparecer em mapas no século XIV, geralmente sob a forma de uma pequena ilha circular, dividida por um estreito. Muitos marinheiros a consideraram como um lugar real até 1800, e a ilha tornou-se um fecundo nascedouro de mitos e contos populares. Certas lendas a descreviam como um paraíso perdido, um tipo de utopia; outras diziam que ela estava perpetuamente obscurecida por uma cortina densa de névoa e só se tornava visível a  cada sete anos.

Apesar de sua reputação de lenda, Hy-Brazil foi amplamente procurada por exploradores com base na Grã-Bretanha,  durante o século XV. O navegador John Cabot lançou várias expedições para encontrá-la, e, supostamente, foi com essa  esperança que ele vez a famosa viagem até a costa da Terra Nova em 1497. Documentos do tempo de Cabot afirmam que exploradores anteriores a ele já haviam alcançado Hy-Brazil, levando alguns pesquisadores a argumentar que estes marinheiros podem, sem se darem conta,  terem viajado  para as Américas antes de Cristóvão Colombo.

Eduardo Bueno, em sua obra "A viagem do descobrimento", diz que o nome Brasil vem do celta "bress", que deu origem ao verbo inglês "to bless" (abençoar). Assim, "Hy Brazil" significaria "terra abençoada".


3 – Thule

Thule em um mapa de 1539
Objeto de fascínio  tanto para  exploradores antigos e  poetas românticos, bem como para ocultistas nazistas, Thule era um território imaginário supostamente localizado no gelado Atlântico norte, perto da Escandinávia. Sua lenda remonta ao século 4 a.C, quando o viajante grego Píteas  alegou ter viajado para uma ilha gelada além da Escócia, onde o sol raramente aparecia e mar e ar formavam uma estranha massa gelatinosa.

Muitos dos contemporâneos de Píteas duvidaram de suas alegações, mas a "distante Thule" permaneceu no imaginário europeu e passou a representar o lugar mais setentrional do mundo conhecido. Exploradores e pesquisadores tem identificado a ilha como sendo  a Noruega, ou a Islândia,  ou  ainda as Ilhas Shetland. A ilha talvez seja mais famosa por sua ligação com a Sociedade de Thule, uma organização esotérica que surgiu na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, que considerava Thule como o lar  ancestral da raça ariana. O grupo com sede em Munique contava com muitos dos futuros nazistas entre seus membros, incluindo Rudolf Hess, que mais tarde serviria como vice-Führer da Alemanha sob a ditadura de Adolf Hitler.

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4 – Eldorado

Pizarro parte em busca do Eldorado 
A partir do século XVI, exploradores e conquistadores europeus ficaram enfeitiçados pelos relatos de uma mítica cidade de ouro localizada nos confins inexplorados da América do Sul. A lenda teve sua origem nas histórias de "El Dorado", um rei sul-americano que, segundo os mitos,  cobria o corpo com pó de ouro e jogavas jóias e ouro em um lago sagrado como parte de um rito de coroação. Os boatos sobre esse lugar de riqueza incalculável atraíram aventureiros de toda a Europa e  inúmeras vidas foram perdidas em buscas infrutíferas para encontrar a cidade.

Uma das mais famosas expedições a procura do Eldorado ocorreu em 1617, quando o explorador inglês Sir Walter Raleigh viajou até o Rio Orinoco, em uma tentativa de encontrá-lo no que é hoje a Venezuela. A missão, é claro,  não descobriu nenhum vestígio da cidade dourada, e o Rei Jaime I mais tarde executou Raleigh depois que ele desobedeceu a uma ordem para não entrar em confronto com os espanhóis.

O Eldorado continuou a atrair a ganância  e a violência européias até o início de 1800, quando os cientistas Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland colocaram a cidade na categoria dos  mitos, depois de conduzirem uma expedição de pesquisa por toda a América Latina.


5 – Ilha de São Brandão

Ilha de São Brandão
A Ilha de São Brandão, conforme contavam as lendas,  era uma misteriosa recriação do Paraíso que  estava oculta em algum lugar do leste do Oceano Atlântico. O mito da ilha fantasma remonta a "Navigatio Brendani", ou "Voyage de Brendan", uma lenda irlandesa de 1.200 anos de idade, sobre o monge São Brandão, o Navegador. Conta a história, que  Brandão levou uma tripulação de marinheiros piedosos em uma viagem no século XI para encontrar a  famosa "Terra Prometida dos Santos." Depois de uma jornada difícil, sobre um mar muito violento,  Brandão e seus homens desembarcaram em uma ilha coberta de névoa; o lugar era cheio de frutas deliciosas e pedras brilhantes. A tripulação grata,  passou 40 dias a explorar a ilha, antes de voltar para a Irlanda.

Mesmo sem nenhuma prova histórica da viagem de São Brandão, a lenda se tornou tão popular durante a era medieval que a " Ilha de São Brandão " fazia parte de muitos mapas do Atlântico. Os cartógrafos de início a  colocaram perto da Irlanda, depois ela migrou para a costa do norte da África, a seguir,  para as  ilhas Canárias e, finalmente, para os Açores. Os marinheiros frequentemente alegavam terem tido vislumbres fugazes da ilha durante a época dos Descobrimentos, e é bem provável que até mesmo Cristóvão Colombo tenha acreditado em sua existência. No entanto, a lenda foi desvanecendo, depois que  várias expedições não conseguiram encontrar o lugar sagrado. Por volta do século XVIII, a "Terra Prometida dos Santos"  havia  sido retirada da maioria das cartas de navegação.

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6 – O Reino de Saguenay

Jacques Cartier
A história do Reino de Saguenay remonta à década de 1530, quando o explorador francês Jacques Cartier fez sua segunda viagem para o Canadá em busca de ouro e uma passagem noroeste para a Ásia. Quando Cartier navegava ao longo do Rio São Lourenço, na região no que é hoje a  moderna Quebec, os guias iroqueses da expedição começaram a sussurrar histórias sobre "Saguenay," um vasto reino que supostamente se estendia para o norte. De acordo com um chefe chamado Donnacona, o misterioso reino era rico em especiarias, peles e metais preciosos; o lugar seria habitado por pessoas loiras, cujos homens eram barbudos com pele pálida. As histórias descambaram para o absurdo quando os nativos começaram a dizer que a região também era o lar de raças de pessoas com uma perna só e tribos inteiras que não possuíam ânus, mas Cartier ficou cego pela perspectiva de encontrar Saguenay e saquear suas riquezas. Ele  levou Donnacona para a França, onde o chefe continuou a espalhar os boatos sobre o  reino perdido.

As lendas sobre Saguenay  assombrariam os exploradores franceses na América do Norte por vários anos, mas os caçadores de tesouros nunca encontraram qualquer vestígio da mítica terra de abundância ou de seus estranhos habitantes. A maioria dos historiadores agora rejeita o relato, considerando-o  como um mito, mas alguns argumentam que os nativos, na verdade, estavam falando sobre  os depósitos de cobre no noroeste do Canadá. Ainda outros sugerem que o Reino de Saguenay, conforme descrito pelos iroqueses,  pode ter sido inspirado por um secular posto avançado nórdico, que sobrara das viagens vikings à América do Norte.