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O rei da Inglaterra que não sabia falar inglês

Graças a filmes ambientados na época da Terceira Cruzada, até mesmo as pessoas que não se interessam muito por história  estão familiarizadas com o nome de Ricardo Coração de Leão, governante da Inglaterra de 1189 a 1199. Ele é geralmente retratado como um dos monarcas mais corajosos, poderosos e inspiradores da Inglaterra; um líder forte, que ganhou o respeito de seu maior oponente, o lendário Saladino.

Talvez o rei Ricardo I tenha sido mesmo valente e impetuoso, mas, com certeza, ele  não tinha muito orgulho de ser Inglês. Talvez ele nem dominasse o idioma de seus súditos. Na época do reinado de Ricardo, a língua da nobreza inglesa era, na verdade, o francês, graças à subjugação normanda da Inglaterra por Guilherme, o Conquistador, em 1066. Durante seus 10 anos como rei da Inglaterra, Ricardo viveu apenas um punhado de meses no interior do país, preferindo usar seu reino como uma fonte de renda para apoiar seus exércitos. Certa vez, ele pensou até mesmo em vender a Inglaterra. Por quase toda a sua vida, o rei Ricardo esteve  em campanha no Oriente Médio ou na França.

Ricardo Coração de Leão 
Ricardo Coração de Leão não teve vida fácil como rei. Logo após sua coroação, ele fez os votos dos cavaleiros cruzados e partiu para lutar na Terceira Cruzada. Quando a caminho de Jerusalém, em 1190, a frota de Ricardo naufragou perto de Chipre, onde ele e seus homens buscaram refúgio. A presença de tantos homens foi considerada uma ameaça pelo líder bizantino da ilha, e logo os conflitos apareceram. A resposta de Ricardo foi violenta: ele se recusou a partir e massacrou os habitantes das cidades que lhe resistiram, espalhando a destruição na ilha. No final do conflito, Chipre estava conquistada e seu rei deposto.

Em junho de 1191, Ricardo chegou à Terra Santa a tempo de aliviar o cerco de Acre imposto por Saladino. Estava já sem aliados, depois de uma série de desavenças com Filipe e o duque Leopoldo V da Áustria. A sua campanha foi um sucesso e granjeou-lhe a fama de herói, bem como o respeito dos adversários, mas somente com o seu exército nunca poderia alcançar o seu principal objetivo que era recuperar Jerusalém para os cristãos. Além disso, a crescente influência de seu irmão João na política na Inglaterra e os avanços militares de Filipe II, que se aproximava perigosamente da Aquitânia e da Normandia, obrigavam um urgente regresso à Europa. No Outono de 1192, Ricardo iniciou a jornada de volta, depois de se recusar até de olhar de longe para Jerusalém.

Na viagem de volta para a Inglaterra,  Ricardo foi capturado pelo seu desafeto Leopoldo V, duque da Áustria. O resgate pago por sua libertação equivalia a um quarto da renda anual de todos os ingleses. Ele foi liberado em 1194. Ricardo  gastou o resto dos seus dias em campanhas na França. Em 1199, aos 41 anos, ele  foi atingido por uma flecha, sendo mortalmente ferido enquanto sitiava um castelo francês. Segundo os cronistas, Ricardo perdoou o assassino em seu leito de morte, mas logo depois que o rei inglês morreu, o arqueiro foi esfolado e enforcado.

O rei Ricardo Coração de Leão morreu sem deixar descendentes e foi sucedido pelo seu irmão João Sem Terra.

Ricardo falava a língua de oïl, um dialeto francês, e occitana, uma língua falada no sul da França e nas regiões próximas.


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