Operação Brother Sam: Golpe de 1964 teve apoio dos EUA


A Operação Brother Sam foi um movimento da Marinha norte-americana em apoio aos militares que derrubaram o presidente João Goulart, no dia 31 de março de 1964. Quando as tropas lideradas pelo general Olímpio Mourão Filho se deslocaram de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, na madrugada do dia 31, havia receio, por parte dos Estados Unidos, de que o golpe falhasse ou que as forças que apoiavam Goulart - inclusive militares - ensaiassem algum tipo de resistência.

Nada disso, contudo, aconteceu. O golpe foi bem-sucedido e, da parte do governo, não houve qualquer tentativa de se opor aos golpistas, embora o presidente tivesse sido pressionado por seus apoiadores a ter um papel mais ativo com relação ao levante. Jango, porém, diante da vitória militar, optou pelo exílio no Uruguai.

As versões da história favoráveis ao presidente dão conta, é claro, de que sua saída do país não ocorreu por medo ou fraqueza, mas, sim, por saber que a resistência poderia levar a uma guerra civil - inclusive, com apoio norte-americano às forças insurgentes. Nesse caso, os Estados Unidos estariam prontos a participar do conflito por meio da Operação Brother Sam.


A presença dos Estados Unidos na política brasileira

Jango e Kennedy
A partir de meados dos anos 1950, o Brasil deu início a uma política externa relativamente independente dos Estados Unidos, o que não significa que o país tenha se afastado dos vizinhos do norte. A presença norte-americana no Brasil, especialmente na economia, ainda era muito forte. Apesar disso, o governo brasileiro passou a estabelecer contatos também com países que, internacionalmente, eram inimigos declarados dos Estados Unidos: caso de Cuba e da China, ambos sob regimes comunistas.

Quando consideramos esses acontecimentos à luz do contexto mais amplo da Guerra Fria, que opôs os Estados Unidos à União Soviética, temos, então, o pano de fundo internacional em que ocorreram os golpes militares na América Latina. Antes de uma intervenção direta, o governo norte-americano optou pela saída diplomática e pelos pesados investimentos na economia de países em que julgava haver perigo de um golpe comunista. Este era o caso do Brasil.

Em um segundo momento, mais radicalizado, a opção foi pelo apoio a grupos civis de direita. Nas eleições de 1962, por exemplo, os Estados Unidos financiaram várias campanhas políticas de civis identificados com o governo norte-americano. Entretanto, a vitória de políticos mais à esquerda, somada a questões internas, precipitou o início da terceira e decisiva fase de intervenção dos Estados Unidos na política brasileira: o apoio à investida militar contra um governo constitucionalmente eleito.


A investida dos Estados Unidos contra regimes democráticos

Golpe de 1964

Tropas vigiam o Congresso após a deposição do presidente João Goulart

A morte do presidente John Kennedy, em 1963, também representou uma mudança de direção na política externa dos Estados Unidos. O então secretário assistente de Estado para Negócios Interamericanos dos EUA, Thomas Mann, declararia, já em março de 1964, que "os Estados Unidos não mais procurariam punir as juntas militares por derrubarem regimes democráticos". Estava dada a senha para o golpe contra Goulart.

As articulações para o golpe, contudo, não ocorreram apenas dentro do círculo militar. A perspectiva de intervenção dominava o debate entre políticos civis desde a crise sucessória de 1961, quando à renuncia de Jânio Quadros seguiu-se uma grave crise política contra a posse de Jango.

Diante das eleições presidenciais de 1965 e da impossibilidade constitucional para que Goulart se reelegesse, alguns políticos, temendo que o presidente pudesse dar um golpe de Estado, apoiaram a intervenção. Acreditavam que ela seria curta, como garantiria o futuro presidente Castelo Branco. A ditadura, porém, durou bem mais que o planejado pelos insurgentes civis - alguns, inclusive, foram perseguidos pelo próprio regime que haviam defendido.


O deslocamento das tropas norte-americanas

Castello Branco

Após o golpe, Castelo Branco assume o comando do Brasil

Por uma questão meramente cronológica, a Operação Brother Sam, deflagrada em 31 de março de 1964, nada teve a ver com o golpe contra o governo Jango. Afinal, as tropas norte-americanas não chegariam ao litoral brasileiro a tempo. Serviriam, contudo, para intimidar qualquer forma de resistência e, caso ela de fato ocorresse, aí, sim, apoiar materialmente os militares insurgentes.

A operação consistiu no deslocamento da frota da Marinha norte-americana estacionada na região do Caribe para o litoral brasileiro. O apoio logístico em favor dos golpistas fora solicitado pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, com quem as forças insurgentes já mantinham contatos visando o suporte norte-americano à derrubada do governo Jango.

Os Estados Unidos haviam autorizado o envio de cem toneladas de armas leves e munições, navios petroleiros, uma esquadrilha de aviões de caça, um navio de transporte de helicópteros com 50 unidades a bordo, tripulação e armamento completo, um porta-aviões, seis destróieres, um encouraçado, um navio de transporte de tropas e 25 aviões para transporte de material bélico.

Nem tudo, porém, chegou a ser enviado para o Brasil; e o que foi, nem mesmo foi utilizado. Afinal, não houve qualquer resistência do governo deposto e o sucesso do  golpe superou em muito as expectativas dos militares.

"Em um caso, o do Brasil, o país mais importante da América Latina, houve o que foi chamado de "milagre econômico" nas últimas duas décadas, mesmo que tenhamos destruído a democracia brasileira através do apoio a um golpe militar em 1964. O apoio ao golpe foi iniciado por Kennedy mas finalmente finalizado por Johnson. O golpe foi pedido pelo embaixador de Kennedy, Lincoln Gordon, "a única vitória mais decisiva para a liberdade na metade do século XX". Nós instalamos o primeiro verdadeiro grande estado de segurança nacional, estado semi-nazista da América Latina, com tortura de alta-tecnologia e assim por diante. Gordon o chamava de "totalmente democrático", "o melhor governo que o Brasil já teve". Bem, houve um aumento no milagre econômico e houve um aumento no PIB. Mas houve também um aumento no sofrimento para grande parte da população"Noam Chomsky; em uma palestra sobre a política externa estadunidense na Universidade de Harvard em 19 de março de 1985.

Fontes: Uol EducaçãoWikipédiaAgência O Globo

Operação Brother Sam: Golpe de 1964 teve apoio dos EUA Operação Brother Sam: Golpe de 1964 teve apoio dos EUA Reviewed by Bento Santiago on outubro 26, 2014 Rating: 5
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